Duas estudantes de 11 anos da Escola Indígena Narcísio Ferreira Matos, em Caucaia (CE), desenvolveram uma série de produtos a partir da carnaúba, palmeira nativa do semiárido nordestino, e apresentaram o trabalho no Ceará Científico 2025. Ykaro Sued e Ester Rayanne contaram com a orientação da professora Verônica Lopes para transformar a matéria-prima em itens de uso cotidiano.
Ykaro Sued e Ester Rayanne, de 11 anos, criam bolsas, cadernos e trajes com carnaúba em escola indígena de Caucaia (CE).
Segundo a professora orientadora, todo o processo de criação ocorreu dentro da própria escola, com apoio de outros educadores. Bolsas, cadernos e trajes foram os principais itens produzidos pela dupla a partir da carnaúba, planta amplamente utilizada por comunidades tradicionais do Ceará para diferentes fins artesanais e econômicos.
O projeto integra as ações de escolas indígenas, quilombolas e de assentamento que participaram do Ceará Científico 2025 com propostas voltadas à sustentabilidade e ao aproveitamento de recursos naturais da região.
Depoimentos dos estudantes e da professora
Ester Rayanne, que está no sexto ano, relatou entusiasmo em participar da iniciativa. Ela afirmou que sempre quis fazer parte de um projeto assim e que se sentiu realizada com o resultado apresentado no evento. Verônica Lopes, professora orientadora, destacou que a produção dos itens contou com o envolvimento direto do corpo docente da escola, reforçando o caráter coletivo do trabalho.
Evento reuniu mais de 600 estudantes de 100 municípios
O Ceará Científico 2025 reuniu 259 projetos, distribuídos em 187 escolas de 100 municípios cearenses, com mais de 600 estudantes envolvidos nas quatro categorias do evento. A iniciativa do Governo do Estado busca incentivar o ensino científico na rede pública, valorizando propostas que unem inovação, sustentabilidade e cultura local.
Selo Escola Sustentável premia projetos ambientais
Durante o evento, também foram entregues os certificados do Selo Escola Sustentável, programa estadual que reconhece ações e projetos pedagógicos voltados à educação ambiental. Neste ano, o reconhecimento contemplou escolas de Ações Afirmativas — indígenas, quilombolas e localizadas em áreas de assentamento —, além de Centros de Educação de Jovens e Adultos (Cejas) e Escolas Estaduais de Educação Profissional (EEEPs). A secretária do Meio Ambiente e Mudança Climática do Ceará, Vilma Freire, destacou a importância da certificação como incentivo às instituições de ensino que desenvolvem práticas sustentáveis.



