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As 5 Capitais com Melhores Progressões de Carreira para Professores

Em São Paulo, um professor com licenciatura plena já acumula 100% de crescimento salarial nos primeiros 15 anos de carreira — o equivalente a dobrar o salário antes da metade do tempo previsto no plano de carreira. Em Belém, o mesmo professor termina esse período exatamente no ponto de partida: crescimento zero. O dado é do relatório Planos de Carreira e Remuneração do Magistério — Redes Públicas das Capitais 2025, do Movimento Profissão Docente.

Cinco capitais concentram maior crescimento salarial docente nos primeiros 15 anos de carreira

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A amplitude remuneratória nos primeiros 15 anos de carreira é um dos indicadores mais relevantes para quem está avaliando em qual rede municipal prestar concurso — e um dos menos discutidos. Enquanto o salário inicial costuma aparecer nos editais e nos comparativos, a velocidade com que esse salário cresce na fase inicial da carreira raramente é analisada com dados.

Esse indicador importa por razões práticas. Pesquisa da consultoria McKinsey de 2007, citada no relatório do Movimento Profissão Docente, mostra que o crescimento salarial nos primeiros anos da carreira é fator decisivo tanto para atrair profissionais qualificados para a docência quanto para reter quem já está na rede. Uma curva salarial íngreme no início sinaliza que a progressão é real — e não uma promessa distante concentrada nos últimos anos de serviço.

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O que é a amplitude remuneratória dos primeiros 15 anos

O estudo do Movimento Profissão Docente calcula a amplitude remuneratória como a diferença percentual entre o salário inicial e o salário ao final de um determinado período — neste caso, os primeiros 15 anos de carreira. Os valores considerados são sem gratificações e sem adicionais por titulação, o que permite uma comparação limpa entre redes com estruturas remuneratórias muito diferentes.

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O indicador responde a uma pergunta direta: em 15 anos de trabalho, o quanto o professor efetivamente consegue aumentar seu salário base?

A análise também compara essa amplitude dos 15 primeiros anos com a amplitude total da carreira — revelando, em alguns casos, que o crescimento já está praticamente esgotado na primeira metade do tempo de serviço.

As 5 capitais com maior crescimento salarial nos primeiros 15 anos

1º lugar

São Paulo (SP)

100%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 127%

2º lugar

Boa Vista (RR)

62%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 98%

3º lugar

Campo Grande (MS)

52%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 84%

4º lugar

Natal (RN)

49%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 56%

5º lugar

Palmas (TO)

40%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 59%

São Paulo é o caso mais expressivo: o professor dobra o salário base em apenas 15 anos — e já acumula 100% dos 127% de amplitude total da carreira nesse período. Isso significa que, na prática, quem entra na rede paulistana já captura quase todo o crescimento possível antes de completar a primeira metade do tempo de serviço previsto no plano.

Boa Vista combina um crescimento expressivo nos primeiros 15 anos (62%) com uma amplitude total de 98% — uma das mais equilibradas entre as capitais, com crescimento distribuído de forma razoável ao longo da carreira.

Campo Grande reforça sua posição de destaque: além de ter o maior vencimento base de ingresso entre as capitais (R$ 8.851), oferece 52% de crescimento nos primeiros 15 anos, chegando a 84% de amplitude total. A capital sul-mato-grossense combina entrada alta com progressão real.

Ranking completo — crescimento nos primeiros 15 anos vs. amplitude total

A tabela abaixo apresenta todas as 26 capitais com os dois indicadores, organizadas por crescimento nos primeiros 15 anos em ordem decrescente. Os dados não incluem gratificações, adicionais por tempo de serviço ou ganhos por titulação.

# Capital Crescimento 15 anos Amplitude total Proporção¹
1 São Paulo (SP) 100% 127% 79%
2 Boa Vista (RR) 62% 98% 63%
3 Campo Grande (MS) 52% 84% 62%
4 Natal (RN) 49% 56% 88%
5 Palmas (TO) 40% 59% 68%
6 São Luís (MA) 34% 59% 58%
7 Maceió (AL) 34% 34% 100%
8 Rio Branco (AC) 34% 60% 57%
9 Cuiabá (MT) 30% 60% 50%
10 Macapá (AP) 29% 78% 37%
11 Belo Horizonte (MG) 28% 118% 24%
12 Goiânia (GO) 23% 75% 31%
13 Fortaleza (CE) 15% 85% 18%
14 Salvador (BA) 16% 37% 43%
15 Aracaju (SE) 16% 27% 59%
16 João Pessoa (PB) 16% 23% 70%
17 Recife (PE) 19% 52% 37%
18 Teresina (PI) 22% 116% 19%
19 Vitória (ES) 33% 101% 33%
20 Rio de Janeiro (RJ) 17% 27% 63%
21 Curitiba (PR) 21% 439% 5%
22 Porto Alegre (RS) 21% 61% 34%
23 Florianópolis (SC) 9% 10% 90%
24 Manaus (AM) 15% 521% 3%
25 Porto Velho (RO) 5% 13% 38%
26 Belém (PA) 0% 0%

¹ Proporção = crescimento nos 15 primeiros anos em relação à amplitude total da carreira. Valores sem gratificações, sem adicionais por tempo de serviço e sem ganhos por titulação. Fonte: Movimento Profissão Docente, jan./2026.

As 5 capitais com menor crescimento nos primeiros 15 anos

O contraste com as piores colocadas revela um problema estrutural: em várias capitais, o crescimento salarial está concentrado no final da carreira — quando a maioria dos professores já está próxima da aposentadoria — ou simplesmente não existe.

Último lugar

Belém (PA)

0%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 0%

2º pior

Porto Velho (RO)

5%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 13%

3º pior

Florianópolis (SC)

9%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 10%

4º pior

Manaus (AM)

15%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 521%

5º pior

Fortaleza (CE)

15%

nos primeiros 15 anos
Amplitude total: 85%

Belém é o caso mais grave: o professor entra e permanece no mesmo vencimento base durante toda a carreira — amplitude zero tanto nos 15 primeiros anos quanto no total. A progressão salarial, na prática, não existe no plano de carreira da capital paraense.

O caso de Manaus merece atenção especial. A capital amazonense tem a maior amplitude total do país (521%), mas entrega apenas 15% desse crescimento nos primeiros 15 anos. Com uma amplitude temporal de 48 anos — o maior do Brasil —, o professor precisa de quase cinco décadas de serviço para chegar ao topo da tabela. Na prática, é uma promessa que pouquíssimos docentes conseguem cumprir antes da aposentadoria.

Curitiba apresenta dinâmica semelhante: amplitude total de 439% (segunda maior do país), mas apenas 21% de crescimento nos primeiros 15 anos. O topo da carreira curitibana é real — os R$ 29.506 de vencimento final existem na tabela —, mas o caminho até lá leva 15 anos e exige que o professor percorra toda uma longa progressão.

Perspectiva para o professor: ao avaliar uma rede municipal para concurso, é importante observar não apenas o salário de entrada, mas também o ritmo de crescimento nos primeiros anos. Uma carreira com progressão concentrada no início sinaliza valorização real do professor em atividade — e não apenas uma promessa de longo prazo que pode nunca se concretizar antes da aposentadoria.

O que está por trás dessas diferenças

A velocidade de progressão salarial depende de como cada município estruturou seu plano de carreira: o número de referências na tabela de vencimentos, o interstício mínimo entre progressões e os critérios exigidos para avançar — titulação, tempo de serviço, avaliação de desempenho ou formação continuada.

Carreiras com muitas referências e interstícios longos tendem a concentrar o crescimento no final. Já planos que distribuem os degraus de forma mais uniforme — ou que adotam progressões mais frequentes nos primeiros anos — permitem que o professor sinta a evolução salarial ao longo da vida ativa, e não apenas na reta final da carreira.

O relatório do Movimento Profissão Docente aponta ainda que três redes (Maceió, São Paulo e Florianópolis) já acumulam nos primeiros 15 anos praticamente toda a sua amplitude total. No caso de São Paulo e Maceió, isso significa que a carreira está bem distribuída no tempo. No caso de Florianópolis, que a amplitude total é tão pequena (10%) que os 15 primeiros anos já a esgotam quase por completo.

📋 Sobre os dados

Fonte: Movimento Profissão DocentePlanos de Carreira e Remuneração do Magistério: Redes Públicas das Capitais 2025, publicado em janeiro de 2026.

Metodologia: amplitude remuneratória calculada sem gratificações, sem adicionais por tempo de serviço e sem ganhos por titulação, para professores com licenciatura plena em jornada de 40 horas semanais. Dados validados com 21 das 26 secretarias municipais de educação.

Referência teórica: McKinsey & Company (2007) — How the World’s Best-Performing School Systems Come out on Top.

O crescimento salarial nos primeiros 15 anos é um indicador que poucos concurseiros analisam — mas que faz diferença real na vida financeira do professor. São Paulo e Boa Vista lideram por combinar progressão expressiva na fase inicial com amplitude total equilibrada. Campo Grande reforça sua posição de destaque: além do maior salário de entrada, garante crescimento real ao longo dos primeiros anos.

No extremo oposto, Belém, Porto Velho e Florianópolis entregam progressões mínimas ou nulas — o que significa que o professor que entra nessas redes terá pouca ou nenhuma evolução no vencimento base ao longo da carreira ativa, independentemente do tempo de serviço.

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