Um novo levantamento do Movimento Profissão Docente, divulgado em janeiro de 2026, traz o retrato mais atual da remuneração docente nas 26 redes estaduais e no Distrito Federal. Os dados, válidos até novembro de 2025, mostram diferenças de mais de R$ 8.000 entre o estado que paga o salário inicial mais alto e o que paga o mais baixo para professores com licenciatura plena.
Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional
Considerando a remuneração inicial ajustada para jornada de 40 horas semanais, com gratificações extensíveis a todos os professores, o Mato Grosso do Sul aparece em 1º lugar, com R$ 13.007,12. Em seguida vêm Maranhão, Pará, Roraima e Mato Grosso, todos acima de R$ 7.300.
Ranking completo por estado
A tabela abaixo apresenta a remuneração inicial de professores com licenciatura plena em todas as 26 redes estaduais e no Distrito Federal, com gratificações extensíveis a todos os docentes, ajustada para jornada de 40 horas semanais:
| Posição | Estado | Remuneração inicial (R$) |
|---|---|---|
| 1º | MS | 13.007,12 |
| 2º | MA | 8.452,03 |
| 3º | PA | 8.289,86 |
| 4º | RR | 7.700,47 |
| 5º | MT | 7.343,44 |
| 6º | GO | 7.160,49 |
| 7º | PB | 6.944,09 |
| 8º | SE | 6.936,60 |
| 9º | CE | 6.839,11 |
| 10º | TO | 6.830,70 |
| 11º | RN | 6.814,88 |
| 12º | AP | 6.808,25 |
| 13º | DF | 6.749,10 |
| 14º | PR | 6.658,20 |
| 15º | BA | 6.513,40 |
| 16º | RO | 6.418,41 |
| 17º | PE | 5.841,91 |
| 18º | AL | 5.767,15 |
| 19º | ES | 5.685,97 |
| 20º | AM | 5.631,18 |
| 21º | SP | 5.565,00 |
| 22º | AC | 5.370,35 |
| 23º | RS | 5.111,05 |
| 24º | SC | 5.026,80 |
| 25º | PI | 4.984,17 |
| 26º | MG | 4.867,97 |
| 27º | RJ | 4.867,77 |
Fonte: Movimento Profissão Docente, “Planos de Carreira e Remuneração do Magistério — Redes Públicas Estaduais 2025” (jan/2026), com dados vigentes até novembro de 2025.
E ao final da carreira?
O quadro se repete quando se olha a remuneração final da carreira (com gratificações extensíveis a todos os docentes): o Mato Grosso do Sul volta a liderar, com R$ 26.586,54, seguido por Ceará (R$ 16.018,59), São Paulo (R$ 14.469,00) e Tocantins (R$ 14.507,71). Já o Piauí (R$ 5.090,10) e Santa Catarina (R$ 5.148,72) seguem com as menores remunerações finais do país.
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Diferenças regionais: nem tudo é o que parece
Chama atenção que estados do Norte e Nordeste, como Maranhão, Pará e Roraima, aparecem entre os cinco melhores salários iniciais do país — na frente de estados como São Paulo (R$ 5.565,00) e Rio de Janeiro. Isso derruba a ideia de que a remuneração docente segue automaticamente o eixo Sul-Sudeste.
Vale destacar que o estudo não ajusta os valores pelo custo de vida local. Um salário nominal mais alto em um estado com custo de vida elevado pode representar um poder de compra menor do que um salário nominal inferior em uma região mais barata — por isso, comparações diretas entre estados exigem cautela, e a análise de poder de compra regional foge do escopo do levantamento.
Média nacional e piso do magistério
A remuneração inicial média nacional, sem gratificações, é de R$ 6.212,36 — 128% do Piso Nacional do Magistério, fixado em R$ 4.867,77 em 2025. Com gratificações extensíveis a todos os professores, a média sobe para R$ 6.599,46, equivalente a 136% do piso.
O que isso significa para os professores
O ranking reforça que a valorização salarial docente é bastante desigual pelo país. Enquanto seis estados adotam o regime de subsídio — mais transparente e sem incorporação de gratificações dispersas —, a maioria ainda usa vencimento com múltiplas rubricas, o que dificulta a comparação real entre redes e a previsibilidade de ganhos ao longo da carreira.
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