Professores podem criar planos de aula alinhados à BNCC em poucos minutos usando o Claude, ferramenta de inteligência artificial da Anthropic. Este é o primeiro artigo de uma série especial do PEBSP que mostrará aplicações práticas da IA na rotina escolar.
O primeiro artigo da série trata da ferramenta que mais consome tempo do professor no dia a dia: a elaboração de planos de aula alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e adaptados para turmas heterogêneas. Um plano de aula completo leva, em média, 2 a 4 horas para ser produzido manualmente — tempo que pode ser reduzido a poucos minutos com o uso adequado da ferramenta.
Como Claude, da Anthropic ajuda professores a criar planos de aula alinhados à BNCC em minutos
Elaborar um plano de aula completo envolve etapas que se acumulam ao longo da semana: leitura e interpretação dos componentes curriculares da BNCC, estruturação de objetivos por nível de dificuldade, seleção de metodologias apropriadas, criação de atividades diferenciadas, definição de critérios de avaliação formativa, pesquisa de recursos complementares e adaptação para alunos com dificuldades de aprendizagem. Multiplicado por 5 a 7 turmas diferentes, esse processo consome um tempo que poderia ser direcionado à interação individualizada com os alunos.
O desafio real do professor moderno
Segundo pesquisa da UNESCO (2023), professores brasileiros gastam mais de 20 horas semanais com tarefas administrativas — quase metade da carga de trabalho semanal. O planejamento de aula é uma das atividades que mais pesa nesse total, especialmente para quem leciona em múltiplas turmas ou escolas. Um levantamento recente sobre os planos de carreira dos professores nas capitais brasileiras reforça o quadro de sobrecarga da categoria.
Acompanhe o PEBSP nos canais oficiais:
WhatsApp | Telegram | Instagram
Favorite o PEBSP no Google para receber nossas atualizações direto na sua busca.
Como o Claude funciona para o planejamento de aulas
O Claude é um grande modelo de linguagem (LLM) desenvolvido pela Anthropic, empresa de segurança em inteligência artificial fundada por ex-pesquisadores da OpenAI. A ferramenta é capaz de:
- Interpretar a BNCC — compreender componentes curriculares, habilidades esperadas e competências socioemocionais previstas no documento;
- Adaptar conteúdo — criar versões simplificadas, intermediárias e avançadas do mesmo tema;
- Gerar estruturas pedagógicas — propor metodologias alinhadas aos objetivos, como aprendizagem ativa, híbrida ou lúdica;
- Criar avaliações formativas — não apenas provas, mas instrumentos de acompanhamento contínuo do aprendizado.
A mesma ferramenta já é usada por professores para outras tarefas do cotidiano escolar — como mostrou o PEBSP em reportagem sobre o recurso que integra o Claude ao Google Drive para corrigir redações em lote.
Exemplo prático: operações com frações no 7º ano
Um professor de Matemática do 7º ano que precisa de um plano sobre operações com frações pode inserir no Claude um comando como: “Crie um plano de aula de 2h30min sobre operações com frações para o 7º ano, alinhado aos componentes curriculares EF07MA05 e EF07MA08 da BNCC, com 3 níveis de atividades (básico, intermediário, avançado), uma atividade prática com materiais da escola, critérios de avaliação formativa e uma adaptação para alunos com dislexia.”
O Claude responde em cerca de 3 minutos — o que levaria em torno de 2 horas de pesquisa manual — com uma estrutura como a seguinte:
Objetivos (BNCC — EF07MA05): resolver operações de adição e subtração com frações, compreender a equivalência entre frações e desenvolver raciocínio lógico-matemático.
Metodologia:
- Aquecimento (10 min): jogo “Pizzas Fracionadas”, com visualização concreta do conceito;
- Exposição dialogada (20 min): equivalência entre frações com uso de barras de fração;
- Prática diferenciada (60 min): atividades com mesmo denominador (nível básico), denominadores diferentes (nível intermediário) e problemas contextualizados (nível avançado);
- Encerramento (10 min): reflexão sobre o conteúdo aprendido.
Atividade prática: pizzas de papelão divididas em frações, com grupos trocando “pedaços” para resolver “pedidos de cliente” — dinâmica que concretiza o conceito abstrato.
Adaptação para dislexia: enunciar as atividades oralmente além do texto escrito, usar cores para separar numeradores e denominadores, e permitir uso de calculadora nas operações, já que o foco da aula é o conceito, não o cálculo manual.
Avaliação: observação durante as atividades práticas (70%) e registro informal em checklist (30%).
Os ganhos em números
Em termos de tempo, o planejamento manual de uma aula leva de 2 a 4 horas, contra 5 a 15 minutos com o uso do Claude, incluindo revisão e ajustes — uma economia estimada em até 15 horas semanais para professores que lecionam em múltiplas turmas.
Em qualidade e alcance, um professor consegue planejar para 5 a 7 turmas diferentes sem repetir metodologias, com adaptações para alunos com necessidades educacionais especiais (NEE) já estruturadas, além da possibilidade de criar 2 a 3 versões de um mesmo plano em paralelo — por exemplo, para turmas do período diurno e noturno.
Estudos preliminares de universidades que adotaram o Claude para apoio pedagógico apontam, entre professores que usam a ferramenta no planejamento, um aumento de 23% no número de alunos que atingem os objetivos de aprendizagem, alta de 18% no engajamento em sala de aula e redução de 15% no abandono escolar, atribuída a um acompanhamento mais próximo dos alunos.
Exemplos em diferentes disciplinas
Em Língua Portuguesa (6º ano), o Claude gera planos diferenciados para os gêneros notícia, crônica e carta, cada um com atividades em três níveis, liberando espaço para o professor conduzir um workshop de escrita individual com cada aluno.
Em História (9º ano), sobre o período da Ditadura Militar, a ferramenta estrutura o plano a partir de fontes primárias — documentos da época —, cronograma interativo e atividades que levam o aluno a concluir, em vez de apenas memorizar, o conteúdo do período.
Em Ciências (8º ano), sobre fotossíntese, o plano combina simulação interativa, prática de laboratório e apresentação com recursos visuais — com versão em áudio estruturado para alunos com deficiência visual.
Em Educação Física (7º ano), sobre esportes coletivos, o Claude estrutura o conteúdo e propõe roteiros de aula prática que consideram alunos com limitações físicas. Quem busca ainda mais opções de capacitação na área de tecnologia pode considerar também um curso de Inteligência Artificial com bolsa, oferecido pelo Pronatec.
O papel insubstituível do professor
O Claude é uma ferramenta de apoio, não de substituição. Cabe ao professor revisar o plano antes de aplicá-lo, considerando adaptações locais e os recursos disponíveis na escola; executá-lo com sensibilidade pedagógica, ajustando em tempo real conforme a reação da turma; personalizar o relacionamento com os alunos, já que a ferramenta gera a estrutura, mas o vínculo é construído pelo professor; e avaliar o impacto real, identificando o que funcionou e o que não funcionou naquela turma específica — como já ocorre, por exemplo, no planejamento de atividades em sala de aula com recursos audiovisuais.
A inteligência artificial não reconhece o clima da turma, a história individual de cada aluno ou os recursos que a escola de fato possui. Essas decisões continuam sendo exclusivamente humanas.
Como começar a usar o Claude no planejamento de aulas
O acesso é feito pelo claude.ai ou, para professores de programação, pelo Claude Code. O passo a passo básico é:
- Acessar a plataforma e iniciar uma conversa;
- Colar os componentes curriculares da BNCC referentes ao conteúdo da aula;
- Solicitar um plano de aula para a disciplina e o tema, informando o contexto da turma;
- Revisar e adaptar o material gerado antes de aplicá-lo em sala.
Não é necessário nenhum plano pago para começar: o Claude oferece acesso gratuito com capacidade suficiente para o planejamento de aulas.
Este artigo integra uma série de 20 dias sobre o uso do Claude, da Anthropic, em diferentes frentes da rotina escolar. Os dados citados sobre carga horária administrativa têm como fonte a pesquisa da UNESCO (2023) sobre o trabalho docente no Brasil; informações sobre o funcionamento do Claude vêm do site oficial da Anthropic. Novos artigos da série serão publicados nos próximos dias.



