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“Vocês querem passar 8 anos sem aumento? Vem ser vereador, então!”, diz vereadora do PL ao defender reajuste abaixo da inflação para professores

Durante a votação da Lei nº 18.463/2026, que aprovou reajuste de 3,51% parcelado em duas parcelas para os professores municipais de São Paulo, a vereadora Rute Costa (PSD) foi à tribuna defender o projeto enviado pelo prefeito Ricardo Nunes. Ao defender o reajuste abaixo da inflação, a vereadora declara: “Você querem aumento de 8 em 8 anos? Vem ser vereador, então!”

O que a vereadora disse — e o que os números revelam

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Rute Costa defendeu o reajuste de 3,48% lembrando que os professores haviam recebido 2,55% no ano anterior, e classificou o novo percentual como um “avanço” em relação ao passado recente. Para justificar sua posição, afirmou que os vereadores ficam oito anos sem reajuste — e que o aumento dos parlamentares também não cobre a inflação acumulada no período.  Além do Salário, os vereadores têm direito à verba de gabinete, Assessores Comissionados, Cotas para Atividade Parlamentar, entre outros.

O argumento, no entanto, colapsa quando confrontado com os dados. Os vereadores de São Paulo aprovaram, em 2024, aumento de 37% nos próprios subsídios, elevando os vencimentos para mais de R$ 26 mil mensais a partir de 2025.

⚠️ A matemática que a base governista não faz

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Um professor que recebeu 2,55% em 2025 e receberá 3,51% em 2026 acumula reajustes que, somados, ficam abaixo da inflação do período. O Sinpeem afirma que a categoria acumula perda real de poder de compra. Já os vereadores, com o reajuste de 37% aprovado para si, garantiram crescimento salarial muito superior a qualquer índice inflacionário recente.

“Vem ser vereador” — e o que essa frase revela

O problema é estrutural: professores não escolhem a profissão para disputar eleições. Escolhem para ensinar. E o Estado tem obrigação constitucional — prevista no inciso X do art. 37 da Constituição Federal, base legal da própria Lei nº 18.463/2026 — de garantir revisão geral anual que preserve o valor real dos salários. Reajustes abaixo da inflação, ano após ano, não cumprem essa obrigação. Chamá-los de “avanço” não os transforma em política de valorização.

O argumento do esforço progressivo

Rute Costa encerrou sua fala reconhecendo que “não dá para fazer tudo de uma vez” e apelando para o esforço gradual da Câmara. É um argumento recorrente — e igualmente problemático. A progressividade só funciona como política salarial quando os percentuais anuais, somados, pelo menos repõem a inflação. Quando ficam sistematicamente abaixo dela, o resultado não é melhora gradual: é deterioração gradual do poder de compra dos trabalhadores.

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Ao mesmo tempo, a vereadora criticou os gritos e xingamentos nas galerias, pedindo “discussão” no lugar de “gritaria”. A observação pode ser válida quanto à forma — mas ignora o contexto: professores que levam anos pedindo reajuste real, veem seus salários perder valor a cada ciclo, e assistem ao plenário aprovar dezenas de pontos percentuais para os próprios parlamentares têm razões concretas para a indignação que extravasou naquele dia.

📊 O contraste em números

Professores municipais Vereadores de SP
Último reajuste 3,51% (parcelado até 2027) 37% (aprovado em 2024)
Reajuste anterior 2,55% (2025) 26,34% (2016)
Cobre a inflação? Não — perda real segundo o Sinpeem Sim — com ampla margem

A greve continua

O Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) confirmou a continuidade da greve após a aprovação da lei. Para a entidade, o percentual aprovado representa perda salarial real e não atende às demandas históricas da categoria por uma política estrutural de valorização do magistério — não de abonos, não de contratos temporários prorrogáveis, e não de reajustes que ficam sistematicamente aquém da inflação.

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📄 Contexto — Lei nº 18.463/2026

Lei Lei Municipal nº 18.463/2026
Sanção 13 de maio de 2026 — Ricardo Nunes (MDB)
Reajuste aprovado 3,51% total — parcelado em 2026 e 2027
Posição do Sinpeem Abaixo da inflação — greve mantida
Reajuste dos vereadores (2024) 37% — salário acima de R$ 26 mil


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