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Filtro de carvão feito com planta do semiárido rende US$ 5 mil a estudantes do Ceará na maior feira de ciências do mundo

Duas estudantes da Escola Estadual Antonio Rodrigues de Oliveira, em Pedra Branca (CE), desenvolveram um filtro de água feito a partir do carvão da jurema-preta (Mimosa hostilis), planta comum no semiárido nordestino e sem uso comercial relevante. O projeto de Kalyne Vitória Falcão e Lauanda Vitoriano Lima levou US$ 5 mil na categoria USAID Science for Development – Climate and Environment Protection da Regeneron ISEF 2023.

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A premiação foi concedida na edição realizada em Dallas, nos Estados Unidos, entre 14 e 19 de maio de 2023. O filtro desenvolvido pela dupla combina carvão da jurema-preta com fibra siliconada, areia e pedra, e tem custo de produção em torno de R$ 0,50 em materiais — ante os cerca de R$ 100 cobrados por um filtro industrial convencional.

Filtro de carvão da jurema-preta desenvolvido por estudantes do Ceará vence prêmio de US$ 5 mil na Regeneron ISEF 2023, em Dallas

A jurema-preta costuma ser descartada por meio de queimadas no sertão nordestino, prática com impacto ambiental direto. No projeto das estudantes, o carvão da planta é combinado com fibra siliconada, areia e pedra para formar um filtro capaz de ajustar condutibilidade, solidez e pH da água, tornando-a potável.

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Baixo custo de produção amplia o alcance da tecnologia

O custo de produção gira em torno de R$ 0,50 em materiais, enquanto um filtro industrial convencional chega a custar cerca de R$ 100 ao consumidor final. A diferença de preço amplia o potencial de uso da tecnologia em comunidades rurais do semiárido, onde o acesso à água tratada é limitado. Em Caucaia, outro projeto cearense recorreu a resíduos de carnaúba para desenvolver produtos a partir de matéria-prima local, em linha com iniciativas semelhantes de baixo custo no estado.

Menos emissões de CO2 na produção do carvão da jurema-preta

Segundo dados apresentados pelas estudantes, a produção do carvão da jurema-preta gera 87,5% menos emissões de CO2 em comparação às queimadas tradicionais da planta — o que soma um argumento ambiental ao caráter social da iniciativa. Estudantes de escola pública do Ceará também já haviam sido premiados nos Estados Unidos por uma tecnologia feita com maracujá, reforçando a presença de projetos do estado em competições científicas internacionais.

Trajetória: da FEBRACE à Regeneron ISEF 2023, em Dallas

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Antes da premiação internacional, o projeto já havia conquistado o primeiro lugar em Ciências Exatas na FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia) 2023, etapa nacional que classificou a dupla para a disputa em Dallas. Na ISEF (International Science and Engineering Fair), considerada a maior feira de ciências e engenharia do mundo, o trabalho concorreu com iniciativas de estudantes de dezenas de países antes de ser reconhecido pela categoria patrocinada pela USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). O resultado se soma a outros casos recentes de estudantes cearenses que alcançaram reconhecimento internacional em feiras e competições científicas.

Outras conquistas internacionais de estudantes brasileiros

Projetos como o das estudantes de Pedra Branca integram um conjunto mais amplo de conquistas de estudantes brasileiros em disputas internacionais. Também em 2026, um estudante brasileiro conquistou o único ouro do Brasil na Olimpíada Internacional de Matemática, em outra competição científica de alcance mundial.

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