Três estudantes da E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis, em Cascavel, no interior do Ceará, desenvolveram um biocompósito sustentável a partir de resíduos do maracujá capaz de manter a umidade do solo por até 21 dias. O projeto, batizado de Sustainpoly, conquistou o 2º lugar na categoria Ciências Agrárias da FEBRACE 2026 e, na etapa internacional, ficou em 4º lugar na categoria Environmental Engineering da Regeneron ISEF 2026, em Phoenix, no Arizona (EUA).
Estudantes de Cascavel (CE) criaram biocompósito de maracujá e ganharam dois prêmios na ISEF 2026, nos EUA.
Davi Oliveira Silva, João Pedro Monteiro Silva e Jordana da Silva Mendonça, orientados pelo professor Francisco Augusto Oliveira Santos e pela professora Mônica Barbosa Canuto, transformaram um resíduo agroindustrial comum no semiárido em tecnologia de baixo custo para o campo. Segundo dados apresentados na FEBRACE, os biocompósitos custam entre R$ 0,07 e R$ 0,17 por 200 g.
Do mesocarpo do maracujá ao hidrogel
O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá, com participação relevante do Nordeste, mas o processamento da fruta gera resíduos que costumam ser descartados sem aproveitamento. Foi esse gargalo que motivou os estudantes a investigar uma alternativa: usar o mesocarpo — parte presente na casca do fruto — para obter um hidrogel, identificado no projeto pela sigla HMM, usado como base na produção dos biocompósitos.
A partir desse hidrogel, a equipe desenvolveu materiais com aplicações voltadas ao cultivo, à pós-colheita e ao manejo agrícola. Testes indicaram capacidade de retenção de até 92% da umidade do solo por 21 dias, além de possíveis aplicações no controle de pragas como a mosca-das-frutas e a formiga cortadeira — o que aponta para um uso multifuncional no campo.
- Custo: entre R$ 0,07 e R$ 0,17 por 200 g de biocompósito
- Retenção de umidade no solo: até 92% por 21 dias
- 2º lugar em Ciências Agrárias na FEBRACE 2026
- Prêmio INCIÊNCIA, com publicação na revista de mesmo nome
- 4º lugar em Environmental Engineering na ISEF 2026 — US$ 600
- 1º lugar em Life Sciences no prêmio especial Sigma Xi — US$ 1.200
Caminho até Phoenix, no Arizona
O reconhecimento na FEBRACE 2026, promovida pela Escola Politécnica da USP, credenciou o Sustainpoly para representar o Brasil na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), considerada a maior e mais prestigiosa feira de ciências pré-universitária do mundo. A edição de 2026 ocorreu entre os dias 9 e 15 de maio, em Phoenix, no Arizona (EUA), e reuniu estudantes de dezenas de países concorrendo a milhões de dólares em premiações.
Na Grand Awards Ceremony, principal cerimônia de premiação da feira, o Sustainpoly recebeu o 4º lugar geral na categoria Environmental Engineering, com prêmio de US$ 600. Na Special Awards Ceremony, o projeto ainda conquistou o 1º lugar em Life Sciences no prêmio especial da Sigma Xi, sociedade honorária de pesquisa científica, no valor de US$ 1.200.
Ao todo, os estudantes selecionados pela FEBRACE trouxeram oito prêmios da ISEF 2026 para o Brasil, distribuídos entre as duas cerimônias do evento — seis prêmios na Grand Awards e dois na Special Awards.
Redução de custos para pequenos produtores
Além do impacto ambiental, o projeto tem potencial econômico direto para a agricultura familiar. Segundo os dados apresentados pelos estudantes, o uso dos biocompósitos derivados do maracujá pode representar redução de até 85% nos custos agrícolas ligados à retenção de umidade e à conservação de alimentos, com aumento significativo da vida útil dos produtos — uma alternativa relevante para pequenos produtores que enfrentam períodos de seca no semiárido nordestino.
A mesma delegação cearense levou à ISEF 2026 o projeto de Yanna Francisca Nogueira Queiroz, da E.E.M.T.I. Deputado Joaquim de Figueiredo Correia (Iracema-CE), que usou aprendizado de máquina para mapear o feminicídio no estado entre 2022 e 2025, e ficou em 4º lugar em Ciências Sociais e do Comportamento.
A FEBRACE é promovida anualmente pela Escola Politécnica da USP e é a maior feira brasileira pré-universitária de ciências e engenharia. Todo ano, os projetos mais bem avaliados recebem credencial para representar o Brasil na Regeneron ISEF, organizada pela Society for Science nos Estados Unidos, considerada a principal feira internacional da categoria.



