O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 foi divulgado pelo Inep com base nos dados do Saeb e do Censo Escolar. O indicador combina desempenho dos estudantes e taxa de aprovação, numa escala de 0 a 10, e serve de referência para o acompanhamento das metas de qualidade da educação previstas no Plano Nacional de Educação (PNE), cuja vigência foi prorrogada até 31 de dezembro de 2025 pela Lei nº 14.934/2024.
O Brasil atingiu 6,3 nos anos iniciais do ensino fundamental (meta era 6,0), 5,3 nos anos finais (meta de 5,5) e 4,5 no ensino médio (meta de 5,2). Para professores e gestores escolares, o resultado funciona como termômetro da rede em que atuam: mostra em qual etapa o trabalho pedagógico tem conseguido sustentar avanço e em qual etapa a rede perde força. Veja a seguir a nota de cada uma das 27 unidades federativas nos três segmentos avaliados.
| Estado | Anos iniciais (meta 6,0) | Anos finais (meta 5,5) | Ensino médio (meta 5,2) |
|---|---|---|---|
| Acre (AC) | 6,3 | 4,9 | 4,2 |
| Alagoas (AL) | 6,4 | 5,3 | 4,3 |
| Amazonas (AM) | 6,0 | 4,9 | 3,8 |
| Amapá (AP) | 5,5 | 4,6 | 4,0 |
| Bahia (BA) | 5,7 | 4,5 | 4,0 |
| Ceará (CE) | 6,8 | 5,7 | 4,5 |
| Distrito Federal (DF) | 6,4 | 5,1 | 4,1 |
| Espírito Santo (ES) | 6,6 | 5,4 | 4,9 |
| Goiás (GO) | 6,5 | 5,7 | 4,8 |
| Maranhão (MA) | 5,7 | 4,7 | 3,9 |
| Minas Gerais (MG) | 6,6 | 5,5 | 4,6 |
| Mato Grosso do Sul (MS) | 5,9 | 5,0 | 4,4 |
| Mato Grosso (MT) | 6,3 | 5,1 | 4,4 |
| Pará (PA) | 5,6 | 4,8 | 4,6 |
| Paraíba (PB) | 6,1 | 4,9 | 4,4 |
| Pernambuco (PE) | 6,0 | 5,1 | 4,7 |
| Piauí (PI) | 6,3 | 5,4 | 5,0 |
| Paraná (PR) | 7,0 | 5,9 | 5,1 |
| Rio de Janeiro (RJ) | 6,1 | 5,1 | 4,2 |
| Rio Grande do Norte (RN) | 5,7 | 4,6 | 4,2 |
| Rondônia (RO) | 6,1 | 4,8 | 4,2 |
| Roraima (RR) | 5,9 | 4,4 | 3,8 |
| Rio Grande do Sul (RS) | 6,3 | 5,4 | 4,9 |
| Santa Catarina (SC) | 6,7 | 5,4 | 4,5 |
| Sergipe (SE) | 5,8 | 4,8 | 4,3 |
| São Paulo (SP) | 6,6 | 5,5 | 4,7 |
| Tocantins (TO) | 5,9 | 4,9 | 4,3 |
Verde: estado atingiu ou superou a meta nacional do segmento. Vermelho: estado ficou abaixo da meta nacional. Fonte: Ideb/Inep, 2025.
A meta cai junto com o avanço da escolaridade
Dos 27 estados, 18 bateram a meta nacional nos anos iniciais (6,0), o equivalente a dois terços do país. Nos anos finais, esse número despenca para 5 estados — Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. No ensino médio, nenhum estado atingiu a meta de 5,2. Para quem trabalha na ponta, esse dado tem leitura direta: o esforço pedagógico dos anos iniciais, quando sustentado, não está sendo suficiente para conter a queda de desempenho na transição para os anos finais e para o ensino médio — etapas que também concentram maior evasão, reprovação e rotatividade docente.
Paraná é o único estado com desempenho de destaque nos três segmentos
O Paraná lidera o ranking nacional nos anos iniciais (7,0) e nos anos finais (5,9), e tem a maior nota do país no ensino médio (5,1), ainda que sem bater a meta. É o único estado com posição de topo simultânea nos três recortes, o que sugere continuidade de política educacional entre etapas — algo que pode interessar a gestores e coordenadores pedagógicos de outras redes na busca por referências de continuidade curricular e de formação docente entre segmentos.
Ceará, Goiás, Minas Gerais e São Paulo sustentam o desempenho até os anos finais
Esses quatro estados, junto ao Paraná, formam o grupo que bateu a meta nos anos finais. É um padrão geograficamente disperso — não há concentração regional única — mas todos combinam nota alta nos anos iniciais com manutenção do resultado na etapa seguinte, o que não se repete na maioria dos demais estados avaliados. Para professores dessas redes, o dado reforça que o trabalho de continuidade entre o 5º e o 9º ano tem tido retorno mensurável.
Amazonas, Roraima e Amapá têm o pior desempenho relativo do país
Os dois primeiros aparecem entre as piores notas nos três segmentos, com destaque negativo para o ensino médio, onde ambos registram 3,8 — a menor nota do país nessa etapa. O Amapá repete o padrão de baixo desempenho nos três recortes, com 5,5 nos anos iniciais, 4,6 nos anos finais e 4,0 no ensino médio. Esses números costumam estar associados a desafios estruturais da região Norte, como dificuldade de fixação de professores, acesso desigual à formação continuada e distância geográfica de grandes centros urbanos.
O ensino médio é o maior desafio para a categoria docente
A distância entre a melhor nota do país no ensino médio (Paraná, com 5,1) e a meta nacional (5,2) é de apenas 0,1 ponto — e ainda assim insuficiente. Isso indica que o problema não está concentrado em poucos estados de desempenho crítico, mas é estrutural e atinge o país inteiro nessa etapa, incluindo as unidades federativas com melhor desempenho nos demais segmentos. Para o professor do ensino médio, o resultado é um retrato de um desafio coletivo da categoria, não de uma falha isolada de rede ou de região — e reforça a discussão sobre carga horária, formação inicial voltada à etapa e condições de trabalho específicas para esse nível de ensino.
O Ideb é calculado a partir da Nota Média Padronizada (NxP), que combina o desempenho dos estudantes no Saeb com o Indicador de Rendimento apurado pelo Censo Escolar. Essa metodologia permite comparar, ano a ano, tanto o aprendizado quanto o fluxo escolar — aprovação, reprovação e abandono — de cada rede de ensino.



