Oportunidade

USP cria tecnologias de IA para pessoas autistas

Uma iniciativa da Universidade de São Paulo (USP) está transformando laboratórios de engenharia em espaços de inclusão para pessoas autistas. A Plataforma Digital da Sociedade Autista reúne capacitação profissional, inteligência artificial, comunicação alternativa e protótipos voltados ao bem-estar e à autonomia de pessoas neurodivergentes.

O projeto capacita 50 pessoas autistas em ferramentas como Excel, PowerPoint e Gemini, além de prever acompanhamento dos participantes inseridos em empresas parceiras. A proposta parte de necessidades concretas e evita tratar a tecnologia como solução abstrata: cada recurso é desenvolvido a partir da escuta, da participação dos usuários e da experiência de professores, estudantes e profissionais.

Formação em IA e preparação para o trabalho

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O curso de extensão realizado na Escola Politécnica trabalha competências digitais úteis para o mercado. Os participantes aprendem a utilizar planilhas, apresentações e ferramentas de inteligência artificial, com apoio durante a formação e acompanhamento posterior para aqueles que ingressarem em empresas parceiras.

Essa dimensão é importante porque inclusão profissional não termina com a oferta de uma oficina. Ela envolve adaptação dos ambientes, apoio às equipes, respeito aos diferentes níveis de suporte e acompanhamento das barreiras que podem aparecer no cotidiano de trabalho.

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Pulseira monitora sinais de estresse

Entre os protótipos desenvolvidos está a SensiLogic, uma pulseira que acompanha batimentos cardíacos e transforma sinais de estresse em alertas visuais. A ferramenta não substitui avaliação clínica nem deve ser interpretada como diagnóstico, mas pode apoiar a percepção de mudanças fisiológicas e favorecer respostas mais rápidas em situações de sobrecarga.

Outro projeto, chamado Aces, identifica frequências e ruídos potencialmente incômodos no ambiente. Em contextos escolares, soluções desse tipo ajudam a discutir como iluminação, sons, espera e organização dos espaços podem afetar estudantes autistas, embora qualquer uso pedagógico precise respeitar a individualidade e a autorização da pessoa e da família.

Comunicação alternativa disponível gratuitamente

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O Adapte Board é uma prancha de comunicação aumentativa e alternativa que pode ser baixada gratuitamente em smartphones e computadores. Com figuras e sinais visuais, o recurso ajuda pessoas com dificuldade de fala a montar mensagens e personalizar formas de interação.

Na escola, ferramentas de comunicação alternativa devem integrar o planejamento do atendimento educacional especializado e ser utilizadas em parceria com o estudante, a família e os profissionais que acompanham seu desenvolvimento. O recurso amplia possibilidades de expressão, mas não substitui a escuta humana nem autoriza presumir o que uma pessoa autista deseja comunicar.

50

pessoas capacitadas

24

protótipos apresentados

3

meses de acompanhamento

Tecnologia assistiva precisa estar ligada à inclusão

Os estudantes da Poli-USP também desenvolveram dispositivos para composição musical com IA, jogos de aprendizagem financeira, sistemas de comunicação e ferramentas para interpretar linguagem. A variedade mostra que acessibilidade envolve educação, trabalho, lazer, participação social e autonomia.

Para professores da Educação Básica, a principal contribuição do projeto é deslocar o debate: a tecnologia não deve ser escolhida porque é nova, mas porque responde a uma barreira identificada. Antes de adotar um aplicativo ou dispositivo, a escola deve avaliar acessibilidade, privacidade, usabilidade, custo, possibilidade de personalização e participação do próprio estudante.

Não há inscrição pública anunciada

Até o momento, a formação da Plataforma Digital da Sociedade Autista aparece como projeto de extensão e pesquisa da USP, sem anúncio de inscrições públicas para uma nova turma. Interessados podem acompanhar as notícias da universidade e da Escola Politécnica, mas não devem compartilhar formulários não oficiais.

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O projeto mostra como a universidade pública pode aproximar ciência, formação profissional e demandas sociais. Ao colocar pessoas autistas no centro da criação, a iniciativa produz tecnologias mais responsáveis e oferece referências para que escolas pensem inclusão para além de adaptações pontuais.

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Redação

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