Um levantamento publicado pela Forbes em 22 de agosto reúne dez atualizações de IA na educação voltadas a professores e coordenadores para o início do ano letivo nos Estados Unidos. Entre as novidades estão a integração do Gemini ao Google Classroom, o Copilot da Microsoft como assistente de planejamento de aulas e o plugin K-12 Educator do ChatGPT, todos destinados a reduzir o tempo gasto na produção de material didático.
Gemini ganha espaço dentro do Google Classroom
O Gemini, assistente de IA do Google, passou a operar de forma integrada ao Classroom, plataforma usada por escolas em todo o mundo para gestão de turmas e atividades. A ferramenta gera material de estudo personalizado a partir do conteúdo já publicado pelo professor e cria “notebooks” que podem ser copiados e reaproveitados por outros docentes da mesma rede. Na prática, um professor de história que já organizou um bloco de aulas sobre Revolução Industrial pode transformar esse conteúdo em roteiros de revisão, questionários e resumos sem reescrever nada do zero.
Copilot passa a atuar como apoio ao planejamento docente
A Microsoft reformulou o Copilot para funcionar como um planejador de unidades de ensino, com sugestões de sequência didática e diretrizes de uso responsável de IA em sala. A ferramenta também oferece um modo de coaching voltado ao aluno, pensado para orientar o estudo individual sem substituir a explicação do professor. Para coordenações pedagógicas que lidam com carga horária apertada de planejamento, a proposta é encurtar o tempo entre a ideia da aula e o material pronto para aplicar.
ChatGPT lança plugin específico para o ensino básico
A OpenAI apresentou o K-12 Educator, um plugin do ChatGPT voltado exclusivamente à criação de recursos para educação básica. A ferramenta produz provas práticas, exit tickets (questões rápidas de checagem de aprendizagem ao fim da aula), material visual interativo, traduções de atividades para alunos não falantes do idioma da aula e comunicados prontos para envio às famílias. Junto com o lançamento, a empresa ampliou o acesso gratuito ao ChatGPT e passou a oferecer uma versão própria voltada a adolescentes.
Canva e MagicSchool miram economia de tempo do professor
O Canva incorporou o Learn Grid, recurso que gera atividades já alinhadas a currículos escolares, reduzindo a etapa de adaptação manual que normalmente cabe ao professor. Já a MagicSchool, plataforma especializada em ferramentas de IA para educação, lançou um assistente que organiza a navegação entre os diferentes aplicativos de IA usados em sala — um problema comum quando a escola adota mais de uma ferramenta ao mesmo tempo e o professor perde tempo alternando entre elas.
Outras integrações citadas no levantamento
O relatório da Forbes também menciona a integração entre o Kahoot, aplicativo de quizzes usado em salas de aula, e o ChatGPT, permitindo criar atividades gamificadas diretamente a partir de um comando de texto. A extensão do Diffit, por sua vez, gera recursos pedagógicos a partir de qualquer página da internet, adaptando o texto ao nível de leitura da turma.
Contexto para o momento
O conjunto de lançamentos reforça um movimento identificado pela reportagem: a IA na educação deixou de se limitar a chatbots de perguntas e respostas e passou a operar como sistema de apoio ao fluxo de trabalho do professor — do planejamento à correção, passando pela comunicação com as famílias. Para redes de ensino que lidam com professores sobrecarregados e tempo de preparação de aula cada vez mais escasso, a promessa comum a todas essas ferramentas é a mesma: tirar do professor tarefas repetitivas para que ele use o tempo de aula em interação direta com o aluno.
Na educação brasileira, onde parte considerável da rede pública ainda enfrenta restrições de acesso a internet estável e dispositivos, a chegada dessas ferramentas tende a ser mais imediata em escolas particulares e em redes públicas que já adotam o Google Workspace for Education ou o Microsoft 365 Education — ambas as suítes usadas em municípios e estados brasileiros. O plugin K-12 Educator do ChatGPT, por exemplo, tem potencial de uso em qualquer sala com acesso à internet, sem depender de contrato institucional prévio, o que pode acelerar sua adoção por professores individualmente antes mesmo de uma decisão de rede.
O PEBSP acompanhou recentemente a expansão do acesso ao Gemini no Classroom para estudantes, movimento que caminha na mesma direção das novidades reunidas neste levantamento.



