A crase depois de preposição é um dos pontos que mais gera dúvida no momento da prova. O problema aparece quando já existe outra preposição antes da palavra feminina — como “para”, “até” ou “sob” — e não fica claro se ainda cabe o acento indicativo de crase.
A regra básica é conhecida: a crase resulta da fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” (ou “as”). A dificuldade surge quando essa preposição concorre com outra preposição já presente na frase, como em “até à escola” ou “para com a instituição”.
Os 6 casos de crase depois de preposição mais cobrados em prova
A seguir estão reunidas as situações mais recorrentes envolvendo crase precedida de outra preposição:
- “Até à” — uso facultativo. As formas “até à escola” e “até a escola” estão corretas.
- “Para com a” — mantém a crase normalmente, como em “sou grato para com a instituição”.
- Expressões fixas como “à toa”, “às pressas”, “à vontade” e “à noite” — sempre com crase, independentemente da preposição anterior.
- Antes de pronomes de tratamento como “dona” e “senhora”: “entreguei à dona Maria” — a crase é mantida.
- Antes de lugares que aceitam artigo feminino: “fui à Bahia” (existe a construção “a Bahia”), mas “fui a Salvador” (sem crase, pois não se usa “a Salvador” com artigo).
- Em locuções adverbiais femininas de tempo, modo ou instrumento, como “à mão”, “às vezes” e “à mesa”.
Um recurso prático para verificar a ocorrência de crase é substituir a palavra feminina por uma equivalente masculina. Se o resultado for “ao”, há crase; se for apenas “a”, não há. No exemplo “fui à festa”, a troca resulta em “fui ao evento” — o que confirma o uso do acento.
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Outras dúvidas de gramática que aparecem ao lado da crase
A crase costuma aparecer ao lado de outras dúvidas gramaticais comuns em avaliações e concursos. Um levantamento sobre erros de português cometidos até por profissionais formados mostra que o problema raramente se limita a um único tópico — a regência verbal e a concordância também figuram entre os pontos que mais confundem candidatos em prova.
A crase também se relaciona diretamente com as regras de acentuação em geral. Quem tem dúvidas sobre a reforma ortográfica tende a errar também na crase, já que ambas envolvem convenções que mudaram ao longo do tempo e nem sempre são intuitivas.
Como memorizar as exceções sem decorar tudo
Em vez de memorizar cada regra isoladamente, vale entender a lógica por trás de cada caso: a crase depende da regência do verbo ou da expressão, do gênero da palavra seguinte e da existência ou não de artigo definido antes dela. Essa mesma lógica se aplica a outra dúvida recorrente, a escolha entre mim ou eu em determinadas construções — ambas dependem da função sintática da palavra na frase.
Para quem já domina os casos apresentados aqui, vale revisar também os casos de crase considerados obrigatórios e proibidos, reunidos em outra publicação, que complementam as situações com preposição apresentadas neste texto.



