ArtigosInteligência Artificial
News

ChatGPT, Gemini, Claude e mais: 4 IAs que realmente ajudam professores em 2026

Em pouco mais de três anos, a inteligência artificial deixou de ser uma curiosidade tecnológica e passou a fazer parte da rotina de escolas brasileiras. Uma pesquisa da Fundação Itaú mostrou que 84% dos estudantes e 79% dos professores do país já utilizaram alguma ferramenta de IA, mas apenas 32% receberam qualquer tipo de orientação da escola sobre como usar essas tecnologias de forma adequada.

Publicidade...

O problema não é falta de ferramentas — é excesso delas. ChatGPT, Gemini, Claude, NotebookLM, Copilot, Canva, Teachy, Perplexity: cada uma promete resolver um problema diferente do dia a dia escolar, e a maioria dos professores nunca teve tempo de entender qual serve para quê. Este guia organiza esse ecossistema por finalidade, não por marca.

Por que entender o “ecossistema” importa mais que escolher “a melhor IA”

Uma pesquisa comparativa publicada na revista científica RECIMA21 analisou quatro ferramentas — ChatGPT, Gemini, NotebookLM e DeepSeek — em tarefas pedagógicas padronizadas. A conclusão prática é a que mais importa para quem está na sala de aula: não existe uma ferramenta única ideal, mas um ecossistema de assistentes com especialidades complementares, cujo uso eficaz depende de mediação pedagógica e formação docente.

Na prática, isso significa que a pergunta certa não é “qual IA eu devo usar“, e sim “qual tarefa eu tenho agora — e qual ferramenta foi desenhada para ela”. É essa lógica que organiza as seções abaixo.

Publicidade!

Acompanhe a série completa:

📲 WhatsApp ·
📢 Telegram ·
📷 Instagram

Planejamento de aula: Claude, Teachy e Copilot

Para transformar um conteúdo curricular em plano de aula estruturado, três caminhos se destacam. O Claude, da Anthropic, funciona bem para planos alinhados à BNCC com adaptação de nível entre turmas, além de se integrar a documentos e planilhas já existentes do professor. O Teachy é uma plataforma brasileira feita especificamente para esse fim, com modelos prontos por disciplina em português. Já o Microsoft Copilot é a opção natural para escolas que já usam o pacote Office no dia a dia, por estar integrado direto ao Word e ao Excel.

Pesquisa e leitura de material extenso: NotebookLM e Perplexity

Quando o desafio é organizar um PDF longo, um capítulo de livro didático ou um artigo científico, o NotebookLM do Google se destaca por ler o material de referência e responder apenas com base nele, citando a fonte exata dentro do próprio documento enviado — o que reduz bastante o risco de invenção de informação. Uma de suas funções mais usadas por professores é a geração automática de um podcast de 8 a 15 minutos, com dois “apresentadores” discutindo o conteúdo, disponível em português brasileiro. Já o Perplexity funciona melhor como motor de busca com citação de fonte, útil para orientar alunos a checar a confiabilidade do que encontram na internet antes de citar em um trabalho.

Avaliação e correção: Claude e ChatGPT

Publicidade!

Para correção de redações e provas, o diferencial do Claude está na possibilidade de conectar diretamente uma pasta do Google Drive e receber uma análise comparativa de uma turma inteira, não apenas de um texto isolado. Já o ChatGPT segue sendo bastante usado como uma espécie de tutor disponível 24 horas, tirando dúvidas pontuais de alunos — mas cabe reforçar que suas respostas não são sempre precisas, o que reforça a necessidade de mediação humana em qualquer avaliação com peso oficial.

Acessibilidade e inclusão: Canva e Claude

O Canva Create tem investido especificamente em recursos de acessibilidade, incluindo ajuste automático de contraste, tipografia e legendas voltadas a alunos com dislexia ou outras condições neurodivergentes. O Claude complementa esse uso adaptando o próprio texto de um material didático para diferentes níveis de leitura, o que ajuda turmas com alunos em estágios de alfabetização distintos dentro da mesma sala.

Criação visual: Gemini, Canva e MidJourney

Para infográficos comparativos — como uma linha do tempo histórica ou um esquema de mitose e meiose — o Gemini tem se mostrado uma opção sólida por já sair em formato exportável para apresentação. O Canva permite transformar slides prontos em quiz interativo com poucos cliques. Já o MidJourney é indicado quando o professor quer uma ilustração original para cartaz ou capa de material, evitando repetir sempre os mesmos bancos de imagem genéricos.

O que os números dizem sobre o impacto real dessas ferramentas

Um levantamento da consultoria McKinsey estima que professores gastam entre 20% e 40% do tempo de trabalho — até 13 horas semanais — em tarefas administrativas que poderiam ser automatizadas, como preparação de aula e organização de material. É esse tempo que a combinação certa de ferramentas de IA promete devolver ao professor, não para substituir o ensino, mas para liberar espaço para o que só um ser humano consegue fazer: atender às necessidades individuais de cada aluno.

Uma pesquisa internacional da OCDE (TALIS 2024) mostrou que 56% dos professores brasileiros já usam IA no próprio trabalho, número que coloca o país em posição de destaque frente a outras nações participantes da pesquisa.

O ponto que nenhuma ferramenta substitui

Vale reforçar o que a pesquisa da RECIMA21 já apontou: o uso eficaz de qualquer uma dessas IAs depende de formação e mediação pedagógica. Nenhuma ferramenta da lista acima decide, por conta própria, o que é pedagogicamente adequado para uma turma específica — isso continua sendo julgamento do professor. O papel da tecnologia, nesse ecossistema, é reduzir trabalho repetitivo e abrir espaço para decisões que só quem está na sala de aula pode tomar.

Publicidade!

Daniel Silva

Daniel Silva é Editor do PEBSP.com. Formado em Pedagogia e Mestre em Educação, gosta de escrever sobre notícias de cursos, concursos e processos seletivos.

Artigos relacionados

Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Botão Voltar ao topo