Os ataques cibernéticos contra órgãos públicos brasileiros mais que triplicaram em um ano: as notificações ao Gabinete de Segurança Institucional saltaram de 1,5 mil por mês no início de 2025 para mais de 4,6 mil em 2026, segundo dados do GSI. No setor privado, o cenário não é diferente — ransomware, vazamentos de dados e fraudes corporativas estão entre as principais ameaças enfrentadas por empresas de todos os portes. E o mercado não tem profissionais suficientes para lidar com isso.
Ataques a órgãos públicos triplicam em 2026 e reforçam demanda por profissionais de cibersegurança no Brasil
As FATECs oferecem cursos superiores gratuitos em Defesa Cibernética, Segurança da Informação e Redes de Computadores — e as inscrições para o Vestibular 2026/2 estão abertas até 8 de junho de 2026.
O Guia Salarial 2026 da Robert Half identificou segurança da informação e gestão de riscos de TI como a habilidade que mais impulsiona remunerações no setor tecnológico brasileiro. Dos gestores de contratação em TI, 48% estão dispostos a pagar salários acima da média para profissionais com certificações em cibersegurança — a maior proporção entre todas as especialidades de TI no Brasil.
Ataques a órgãos públicos
+3x
1,5 mil/mês → 4,6 mil/mês (GSI, 2025–2026)
Contratações em SP
+22,8%
Analista de Seg. da Info. em SP (CAGED 2025–26)
Salário médio em SP
R$ 9.998
Analista de Seg. da Info. — base CAGED (Quero Bolsa)
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O cenário que tornou cibersegurança uma área crítica em 2026
O Brasil encerrou 2025 com cerca de 60 bilhões de tentativas de ataque cibernético por ano — número que cresce na medida em que a digitalização avança no sistema financeiro, na saúde e nos serviços públicos. A piora é sistemática: o GSI informou que, desde janeiro de 2026, passou a consumir mais feeds de segurança e adotou uma nova taxonomia de classificação, o que elevou a visibilidade sobre incidentes antes subnotificados. Em outras palavras, o problema existia antes — mas agora está sendo medido com mais precisão, e o que se vê é grave.
No setor privado, o ransomware — malware que criptografa dados e exige resgate em criptomoeda — segue como a principal ameaça para empresas de todos os portes. 37% das empresas ao redor do mundo afirmaram ter sofrido esse tipo de ataque nos últimos anos, segundo estudo do IDC. O custo médio de um incidente vai muito além do resgate: downtime operacional, perda de dados, impacto reputacional e multas pela LGPD somam tipicamente de 5 a 10 vezes o valor do resgate original.
A LGPD criou uma camada regulatória que transformou cibersegurança em obrigação legal. Empresas que sofrem vazamentos de dados pessoais estão sujeitas a multas de até 2% do faturamento bruto anual, limitadas a R$ 50 milhões por infração. Isso deslocou o debate de “se vale o investimento em segurança” para “quanto investir e quem vai operar”. O relatório da Google Cloud sobre previsões de cibersegurança para 2026 aponta que agentes maliciosos passarão a usar IA para aumentar velocidade, alcance e eficácia dos ataques — o que eleva ainda mais a demanda por profissionais capazes de operar defesas igualmente sofisticadas.
Os três cursos FATEC na área — e o que cada um forma
Tecnologia em Defesa Cibernética é o curso mais específico do grupo e o de maior escassez no mercado: está disponível em apenas uma unidade FATEC no estado, a Fatec Jundiaí — Deputado Ary Fossen. A grade cobre segurança ofensiva e defensiva, análise de vulnerabilidades, resposta a incidentes, criptografia, segurança em redes e nuvem, forense digital e conformidade regulatória. O profissional formado é o que as empresas chamam de especialista em SOC (Security Operations Center) — o analista que monitora, detecta e responde a ataques em tempo real. É o perfil mais valorizado e mais raro do mercado de cibersegurança no Brasil.
Tecnologia em Segurança da Informação tem um perfil complementar: enquanto Defesa Cibernética foca na operação tática, Segurança da Informação cobre também a gestão estratégica — políticas de segurança, governança, conformidade com normas como ISO 27001, gestão de riscos e conscientização organizacional. Está disponível em cinco unidades: Fatec Americana, Fatec Araraquara, Fatec Ourinhos, Fatec Santana de Parnaíba e Fatec São Caetano do Sul. É o curso mais indicado para quem quer atuar em grandes empresas, consultorias de segurança ou órgãos públicos que precisam implementar frameworks de proteção de dados.
Tecnologia em Redes de Computadores é a base da infraestrutura sobre a qual toda a segurança digital é construída. O tecnólogo projeta, implanta e administra redes corporativas — cabeadas e sem fio — e atua cada vez mais na proteção dessa infraestrutura contra intrusões. Com a expansão do trabalho remoto e dos ambientes híbridos e multicloud, a demanda por especialistas em redes com conhecimento de segurança cresceu de forma expressiva. O curso está disponível nas unidades Fatec Bauru, Fatec Osasco e Fatec Suzano. Os três cursos têm duração de 3 anos e são completamente gratuitos.
Defesa Cibernética
1 unidade — Jundiaí
Segurança da Informação
5 unidades — interior e Grande SP
Redes de Computadores
3 unidades — Bauru, Osasco, Suzano
Quanto ganha quem trabalha nessa área — e quem contrata
Os dados do CAGED para 2026 mostram uma escada salarial clara para quem entra na carreira de segurança da informação em São Paulo. O Analista Júnior começa em R$ 7.574, o Pleno chega a R$ 10.163 e o Sênior atinge R$ 13.148 mensais — com piso salarial oficial de R$ 8.932 para jornada de 41 horas semanais na capital. No segmento de gestão e liderança, o Gerente de Segurança de TI tem faixa entre R$ 17.947 e R$ 34.845, com média sênior de R$ 27.440 segundo o Portal Salário/CAGED.
O crescimento de contratações formais em São Paulo foi de +22,8% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, e o mercado de trabalho para especialistas em segurança da informação está classificado como “altíssima demanda” pelo Portal Salário. Para Especialistas (nível acima de analista), o crescimento global de contratações foi de +14,86% entre abril de 2025 e março de 2026.
Os principais empregadores no Brasil incluem bancos e fintechs (itens obrigatórios de segurança por regulação do Banco Central), hospitais e planos de saúde (LGPD aplicada a dados sensíveis), operadoras de telecomunicações, varejistas com e-commerce, consultorias de TI e — de forma crescente — o setor público, que após a triplicação dos ataques está pressionado a contratar e qualificar equipes de resposta a incidentes. A ANPD, autoridade responsável pela LGPD, tem intensificado investigações e multas, o que transforma conformidade em urgência para empresas de todos os portes.
Por que 2026 é o momento certo para entrar — e como aproveitar o vestibular FATEC
Há uma janela de oportunidade concreta: a demanda por profissionais de cibersegurança cresce mais rápido do que as instituições de ensino conseguem formar. A combinação de poucos cursos gratuitos disponíveis, alta exigência do mercado e escalada contínua de ataques cria um desequilíbrio favorável a quem se especializar agora. Quem entrar no curso em 2026 estará disponível para o mercado em 2029 — quando as projeções de crescimento do setor ainda estarão no auge.
O curso de Defesa Cibernética em Jundiaí é caso especial: por estar em uma única unidade, a concorrência é regionalizada, o que pode ser vantagem para candidatos da região de Jundiaí, Campinas e cidades próximas. Já os cursos de Segurança da Informação em Santana de Parnaíba e São Caetano do Sul atendem candidatos da Grande São Paulo sem necessidade de deslocamento para o interior.
Uma estratégia comum entre candidatos é combinar 1ª opção em Defesa Cibernética ou Segurança da Informação com 2ª opção em Análise e Desenvolvimento de Sistemas ou Redes de Computadores — cursos com grades que se comunicam bem e que ampliam as possibilidades de ingresso. O candidato pode usar até 3 inscrições, pagando a taxa individualmente. Quem fez o ENEM entre 2023 e 2025 pode usar a nota da parte objetiva como complemento, sem perda se o desempenho no ENEM for inferior ao da prova da FATEC.
Informações do Processo Seletivo
Edital: Portaria CEETEPS-Presidência nº 5041/2026
Inscrições: 7 de abril a 8 de junho de 2026 (até 15h) — prazo prorrogado
Prova: 28 de junho de 2026, às 13h
Taxa: R$ 90,00 (isenção e redução disponíveis)
Defesa Cibernética: Fatec Jundiaí
Segurança da Informação: Fatec Americana · Araraquara · Ourinhos · Santana de Parnaíba · São Caetano do Sul
Redes de Computadores: Fatec Bauru · Osasco · Suzano
Site oficial: vestibular.fatec.sp.gov.br



