O Brasil registrou 553 milhões de tentativas de phishing bloqueadas em apenas 12 meses, segundo o Panorama de Ameaças Cibernéticas 2025 da Kaspersky — uma média de 1,5 milhão de ataques por dia, mais de dois por segundo.
Brasil registrou 553 milhões de ataques de phishing em 12 meses — e federal abre curso gratuito de segurança digital
Em 2026, o cenário piorou: deepfakes com IA, golpes via PIX e engenharia social personalizada tornaram as fraudes digitais mais difíceis de detectar do que nunca. No meio dessa escalada, o IFSULDEMINAS – Campus Machado abriu 150 vagas gratuitas para o curso Fundamentos de Segurança na Internet, com inscrições até 7 de junho de 2026. Não é um curso técnico para especialistas — é formação cidadã para qualquer pessoa que use a internet.
Fraudes bancárias cresceram 220% no primeiro semestre de 2025 em relação ao semestre anterior, segundo dados de cibersegurança. O uso de deepfakes cresceu 830% entre 2024 e 2025, segundo a Polícia Federal. A principal barreira continua sendo a educação digital — e agora ela está disponível de graça em instituto federal.
O país que mais recebe ataques de phishing na América Latina
Os dados da Kaspersky não deixam margem para relativizar: o Brasil concentrou 43% de todos os ataques de phishing registrados na América Latina entre julho de 2024 e agosto de 2025. O número total na região chegou a 1,29 bilhão de tentativas. No Brasil especificamente, foram 553 milhões — alta de 80% sobre o ciclo anterior, quando tinham sido contabilizados 309 milhões de bloqueios.
A explicação para o Brasil liderar esse ranking é estrutural. O país tem alta adoção de tecnologia digital — Pix, aplicativos bancários, redes sociais, compras online — combinada com baixa educação digital. Essa assimetria é o que torna a população brasileira um alvo especialmente lucrativo para criminosos. “O criminoso segue para onde a massa está”, resume um especialista da Kaspersky em relatório divulgado no fim de 2025. Com 175 milhões de brasileiros conectados e hábitos digitais que raramente incluem higiene de segurança básica, o mercado de vítimas é, na prática, ilimitado.
IA mudou o nível dos golpes em 2026
Por anos, a orientação para não cair em phishing era relativamente simples: desconfie de mensagens com erros de português, links estranhos e remetentes desconhecidos. Essa orientação ainda vale — mas a inteligência artificial eliminou boa parte dos sinais que permitiam identificar fraudes.
Em 2026, campanhas de phishing produzidas com IA cresceram mais de 1.265%, segundo levantamento da Vantico. Os golpistas agora têm acesso a ferramentas que personalizam mensagens com o nome da vítima, cidade, banco utilizado e histórico de compras obtido em vazamentos. O resultado são abordagens que parecem legítimas do começo ao fim.
Os deepfakes adicionaram outra camada de risco. O uso de vídeos e áudios manipulados em golpes cresceu 830% entre 2024 e 2025, segundo dados da Polícia Federal. A tecnologia hoje permite clonar a voz de um familiar a partir de 15 segundos de áudio público — o suficiente para montar uma ligação de “emergência” pedindo transferência via Pix. Já circulam vídeos com imagens de jornalistas conhecidos, autoridades públicas e até figuras religiosas, todos fabricados por IA para anunciar falsas promoções ou mudanças no sistema financeiro.
No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude — uma a cada 2,3 segundos, segundo a Serasa Experian. Cerca de 28 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo Pix ao longo de 2025, com pessoas acima de 50 anos representando 53% dos casos.
Por que professores e servidores são alvos prioritários
O perfil das vítimas de golpes digitais não é o de pessoas desinformadas sobre tecnologia em geral. É o de pessoas que usam a internet intensamente no dia a dia — inclusive para trabalho — mas nunca receberam formação específica sobre segurança digital. Professores e servidores públicos se encaixam exatamente nesse perfil.
Além do uso cotidiano de plataformas educacionais, e-mail institucional e aplicativos de pagamento, servidores têm acesso a sistemas de governo que representam alvos de alto valor para criminosos. O caso do desvio de R$ 15 milhões do SIAFI, sistema financeiro do governo federal, começou com um único funcionário que caiu em um link de phishing — dado levantado pela própria Kaspersky como exemplo do impacto que um ataque simples pode ter em escala institucional.
O que o curso cobre
O curso Fundamentos de Segurança na Internet do IFSULDEMINAS não exige conhecimento técnico prévio. O conteúdo é desenhado para qualquer usuário da internet e cobre os conceitos e práticas que fazem diferença no dia a dia:
- Confidencialidade, integridade e disponibilidade — os três pilares da segurança da informação
- Identificação de riscos e ameaças digitais: phishing, malwares, vazamentos de dados e golpes virtuais
- Navegação segura, uso responsável de redes sociais e proteção de dados pessoais
- Criação e gestão segura de senhas e autenticação em múltiplos fatores (2FA)
- Cidadania digital, ética e responsabilidade no uso da internet
- Uso seguro de ferramentas digitais no ambiente de trabalho
São 30 horas de formação totalmente a distância, com certificado emitido pelo IFSULDEMINAS. O objetivo declarado no edital é tanto a qualificação profissional quanto a inclusão digital e a autonomia dos participantes no ambiente online.
Gratuito, sem pré-requisito, inscrições até 7 de junho
Os requisitos são mínimos: ter 16 anos, CPF, e-mail válido e acesso à internet. A seleção é por ordem de inscrição, com 150 vagas disponíveis. O resultado sai em 8 de junho, e o curso começa na mesma data, com término previsto para 26 de junho de 2026.
Inscrições abertas até 07/06/2026 — acesse o portal do IFSULDEMINAS Campus Machado



