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Estudo revela cursos de Graduação com maior taxa de desemprego no Brasil

Nenhuma faculdade anuncia no folder de captação que quase 1 em cada 3 formados no curso estará desempregado. A IV Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp, realizada com 5.681 egressos de 178 instituições e divulgada em janeiro de 2025, mapeou exatamente isso: as taxas de desemprego pós-formação por curso superior no Brasil. Os números de História (31,6%), Relações Internacionais (29,4%), Serviço Social (28,6%) e Radiologia (27,8%) não aparecem nas peças publicitárias das faculdades.

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Pesquisa com 5.681 egressos revela os cursos superiores com maior taxa de desemprego no Brasil em 2025

Abaixo está o mapeamento completo dos cursos com maiores índices de desemprego pós-formação, as razões estruturais por trás de cada um, e as alternativas reais para quem já está formado nessas áreas — ou está pensando em se matricular.

O ranking completo: cursos com maior desemprego pós-formação

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A pesquisa do Semesp listou os cursos com as maiores taxas de egressos que não exercem qualquer atividade remunerada. O indicador não distingue quem está em busca de emprego na área de formação de quem simplesmente não encontrou trabalho em lugar algum — o que torna os números ainda mais significativos para quem está decidindo onde investir tempo e dinheiro.

Pos. Curso Área Desemprego pós-formação
História Humanas 31,6%
Relações Internacionais Humanas / Sociais 29,4%
Serviço Social Sociais Aplicadas 28,6%
Radiologia Saúde 27,8%
Enfermagem Saúde 24,5%
Química Exatas 22,2%
Nutrição Saúde 22%
Logística Gestão / Negócios 18,9%
Agronomia Agro / Biológicas 18,2%
10º Estética e Cosmética Saúde / Beleza 17,5%

Fonte: Instituto Semesp, IV Pesquisa de Empregabilidade (jan/2025). Base: 5.681 egressos de 178 instituições. Indicador: % de egressos sem qualquer atividade remunerada no momento da pesquisa.

O segundo problema que os rankings escondem: trabalhar fora da área

A taxa de desemprego conta apenas parte da história. A mesma pesquisa mapeou os formados que estão empregados, mas em áreas completamente diferentes da sua graduação — o que levanta outra questão sobre o retorno real do investimento em determinados cursos.

55,2%
Eng. Química
atuam fora da área
52,9%
Rel. Internacionais
atuam fora da área
44,4%
Radiologia
atuam fora da área
42,4%
Eng. de Produção
atuam fora da área
40,5%
Gestão de Pessoas
atuam fora da área
40,4%
Jornalismo
atuam fora da área
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O dado tem implicação financeira concreta: segundo a mesma pesquisa do Semesp, o profissional que atua na própria área de formação ganha em média 27,5% mais do que quem migrou para outro campo. Ou seja, a migração forçada de área não é neutra — ela tem custo salarial mensurável.

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Por que cada curso está nessa lista — e o que os dados não contam

Números isolados não explicam nada. Cada curso nessa lista tem uma razão estrutural diferente para aparecer aí — e conhecê-las muda completamente a interpretação dos dados.

31,6% desemprego
História

Por que lidera a lista: O mercado formal para historiadores é estreito e altamente dependente do setor público — em especial o magistério e concursos para museus, arquivos e institutos de patrimônio. Fora dessas portas, as oportunidades de emprego formal com exigência explícita do diploma de História são escassas. O curso forma muito mais profissionais do que o mercado absorve na área direta.

O que a pesquisa não mostra: Que uma parcela significativa dos formados em História opta deliberadamente pela pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) como caminho — e que esse grupo não está “desempregado” no sentido convencional, mas em formação acadêmica remunerada por bolsas. A pesquisa não distingue esses perfis.

Saídas com mais campo de trabalho:

Concurso público para professor de História (especialmente com apagão docente em licenciaturas); arquivologia e gestão documental (demanda crescente no setor privado e público); pesquisa histórica em fundações e institutos culturais; pós-graduação em Educação, Patrimônio Cultural ou Gestão Pública; docência no ensino superior.

29,4% desemprego / 52,9% fora da área
Relações Internacionais

Por que aparece nos dois rankings: RI é o caso mais complexo da lista — aparece com 29,4% de desemprego e com 52,9% dos formados atuando fora da área de formação. O curso forma bem em análise política, negociação, economia e relações internacionais, mas o mercado específico para “internacionalista” é pequeno, concentrado em multinacionais, grandes tradings, diplomacia (carreira de altíssima concorrência) e organizações internacionais. A maioria dos formados acaba sendo absorvida em áreas adjacentes — comércio exterior, recursos humanos, consultoria, comunicação — onde o diploma de RI agrega valor, mas não é requisito.

O que a pesquisa não mostra: Que o perfil do formado em RI tende a ter alta empregabilidade em mercados internacionais e que profissionais bilíngues ou trilíngues da área têm demanda real — a questão é que esse mercado exige diferenciais (idiomas, experiência internacional, redes de contato) que nem todos têm ao sair da faculdade.

Saídas com mais campo de trabalho:

Comércio exterior em empresas exportadoras e importadoras; compliance e regulatório em multinacionais; concurso para a carreira diplomática (Instituto Rio Branco — salário inicial R$ 22.558 em 2025); organizações internacionais como ONU, OIT, BID; assessoria em gestão de projetos internacionais; ONGs e terceiro setor com atuação global.

28,6% desemprego
Serviço Social

Por que aparece na lista: O curso de Serviço Social sofre com dois problemas simultâneos: mercado altamente dependente do setor público (especialmente SUAS — Sistema Único de Assistência Social — e CRAS/CREAS municipais) e precarização dos vínculos empregatícios no próprio setor. Muitas vagas são temporárias, por contratos de prestação de serviço ou por terceirizações, o que eleva o índice de quem não tem vínculo formal no momento da pesquisa. Além disso, a expansão do número de cursos — em especial na modalidade EaD — gerou oferta de formados muito superior à absorção institucional.

O que a pesquisa não mostra: Que o assistente social tem presença em setores além da assistência pública — empresas privadas de grande porte (especialmente em RH e benefícios), planos de saúde, hospitais e sistema penitenciário também contratam assistentes sociais, com vínculos mais estáveis.

Saídas com mais campo de trabalho:

Concurso público para assistente social em prefeituras, estados e governo federal (INSS absorve grande volume); RH de empresas de médio e grande porte; hospitais e planos de saúde; sistema socioeducativo e penitenciário; terceiro setor em organizações estruturadas; docência no ensino superior (com mestrado).

27,8% desemprego / 44,4% fora da área
Radiologia

Por que aparece nos dois rankings: O dado de Radiologia é um dos mais surpreendentes — é uma área da saúde, com conselho profissional (CONTER) e com demanda crescente por exames de imagem, mas ainda assim registra 27,8% de desemprego e 44,4% atuando fora da área. A explicação está na expansão desordenada dos cursos de tecnologia em Radiologia: o Brasil passou de 5 cursos ativos em 2000 para mais de 213 em 2023, segundo levantamento publicado no Brazilian Journal of Radiation Sciences (2024). A oferta de formados simplesmente supera a absorção do mercado em diversas regiões, especialmente fora dos grandes centros.

O que a pesquisa não mostra: Que nas capitais e em hospitais de alta complexidade a demanda por tecnólogos em radiologia — especialmente com especialização em tomografia, ressonância magnética e medicina nuclear — é consistente e com salários competitivos. O problema é geográfico e de especialização, não de demanda estrutural.

Saídas com mais campo de trabalho:

Especialização em tomografia computadorizada, ressonância magnética ou medicina nuclear (diferencial competitivo imediato); grandes centros hospitalares nas capitais; clínicas de diagnóstico por imagem do setor privado; concurso público para hospitais federais e estaduais; radioterapia oncológica (demanda crescente com aumento dos casos de câncer).

24,5% desemprego
⚠️ Enfermagem — o caso dos dois extremos

Enfermagem é o único curso que aparece simultaneamente na lista dos maiores desempregos e na lista dos empregos mais em alta no Brasil. O técnico em enfermagem foi o 2º cargo mais demandado no LinkedIn Empregos em Alta 2026 — enquanto o bacharel em Enfermagem registra 24,5% de desemprego pós-formação.

A explicação está na saturação do diploma de bacharelado em regiões metropolitanas — onde há excesso de oferta de enfermeiros — combinada com a demanda concentrada por técnicos, que têm menor custo de contratação e são o perfil exigido pela maioria das UBSs, clínicas e serviços de home care. Publicação do Ministério da Saúde de 2025 alerta que o crescimento acelerado das escolas de graduação em Enfermagem pode colaborar para desorganização do mercado, caso não seja acompanhado por estratégias de absorção da força recém-formada. O Brasil tem quase 6 vezes mais escolas de Enfermagem em nível de bacharelado do que o México, segundo o mesmo levantamento.

Os demais cursos da lista: contexto rápido

Curso Desemprego Razão estrutural principal
Química 22,2% Mercado industrial exige pós-graduação ou especialização técnica. Licenciatura tem campo no magistério, mas com alta concorrência em grandes cidades.
Nutrição 22% Expansão massiva de cursos (especialmente EaD) superou a absorção do mercado. Área privada (consultório, personal diet) exige construção de clientela própria.
Logística 18,9% Alta oferta de cursos EaD de baixo custo gerou excesso de formados. O mercado absorve bem, mas prefere técnicos e tecnólogos com experiência prática.
Agronomia 18,2% Concentração geográfica: a demanda é forte no interior e em estados agrícolas (MT, GO, MS, PR), mas o curso é ofertado em grande volume em áreas urbanas onde o campo de atuação é limitado.
Estética e Cosmética 17,5% Mercado majoritariamente autônomo e informal. Quem se estabelece como profissional independente não aparece como “empregado” nos indicadores formais.

⚠️ Cursos que surpreendem na lista — e o que isso significa

Pedagogia (15,1%), Direito (15%), Psicologia (14,6%) e Administração (13,5%) aparecem com taxas de desemprego relevantes — mas abaixo do topo da lista. O dado merece atenção: são cursos massivos, com altíssima oferta de formados. Pedagogia tem campo direto no magistério e na gestão escolar; Direito e Psicologia têm mercado extenso mas exigem aprovação em exames (OAB e CFP) para exercício pleno. Administração é, provavelmente, o curso com maior volume absoluto de desempregados no Brasil — mesmo com taxa percentual menor, o número bruto é alto pela enorme quantidade de formados anualmente.

Se você já está formado em um desses cursos: o que os dados sugerem

As taxas de desemprego reveladas pela pesquisa do Semesp são médias — e médias escondem trajetórias diversas. O que os dados indicam, de forma consistente, é que o profissional formado em áreas de baixa empregabilidade pode mudar esse cenário por dois caminhos:

🎓 Especialização vertical

Pós-graduação, mestrado ou certificações técnicas na mesma área aumentam a taxa de empregabilidade e o salário. Um assistente social com especialização em proteção de crianças e adolescentes ou em gestão de políticas públicas tem perfil muito diferente do generalista recém-formado. O mesmo vale para o radiólogo especializado em ressonância magnética vs. o tecnólogo generalista.

🔀 Complementação horizontal

Uma segunda graduação ou certificação em área com alta empregabilidade — TI, gestão, direito digital — pode reposicionar o profissional no mercado sem invalidar a formação original. O historiador que aprende análise de dados tem perfil raro e valorizado em institutos de pesquisa e inteligência de mercado. O nutricionista com certificação em saúde digital atua em healthtechs. A combinação de áreas cria diferenciação.

Para quem ainda não se matriculou: as 5 perguntas que as faculdades não fazem

Quantos formados nesse curso estão empregados na área em que estudaram? (Exija o dado da instituição ou consulte a pesquisa do Semesp)
Qual é o mercado de trabalho formal para esse diploma na minha região? (Não no Brasil como um todo — na sua cidade ou estado)
O curso exige aprovação em exame ou conselho profissional para exercício pleno? (OAB, CFP, CRM, CFF, CONTER — cada um tem suas próprias taxas de aprovação)
O salário esperado compensa o investimento em tempo e dinheiro? (Use a calculadora: custo total do curso ÷ diferença salarial esperada = tempo de retorno)
Existe uma opção pública ou gratuita para este curso? (SISU, ProUni, IFs, UAB — antes de assinar qualquer contrato de mensalidade)

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O que os dados não respondem

A pesquisa do Semesp tem amostra concentrada em egressos de instituições privadas (97%) e captura um momento — agosto e setembro de 2024. O dado de desemprego não distingue quem está em busca ativa de emprego na área, quem optou por pós-graduação, quem migrou intencionalmente de carreira e quem simplesmente não encontrou colocação. A pesquisa não tem representatividade estatística por curso e foi realizada sem pretensões científicas, como o próprio Semesp ressalta. Esses dados são uma aproximação útil para a tomada de decisão, não uma sentença definitiva sobre nenhuma área.

📋 Fontes e referências

Desemprego e migração por curso Instituto Semesp, IV Pesquisa de Empregabilidade (jan/2025); CNN Brasil (set/2024)
Cursos de Radiologia no Brasil Brazilian Journal of Radiation Sciences, nov/2024 (Garcia et al.)
Enfermagem — crescimento de escolas e mercado Ministério da Saúde, Demografia da Enfermagem no Brasil 2025 (v.1)
Técnico em enfermagem — vagas em alta LinkedIn Economic Graph, Empregos em Alta 2026
Carreira diplomática — salário inicial 2025 FGV — Carreiras / Instituto Rio Branco (2025)
Diferencial salarial por área de atuação Instituto Semesp, IV Pesquisa de Empregabilidade (jan/2025)

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Redação

A Redação do Site PEBSP.com é uma equipe multidisciplinar composta por profissionais que amam escrever sobre cursos, concursos e oportunidades na Educação!

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