A diferença de remuneração entre capitais brasileiras para o professor que ingressa na rede municipal pode chegar a mais de R$ 6.800 — só no vencimento base. Com gratificações, a distância ultrapassa R$ 5.000 entre o topo e a base do ranking. O levantamento Planos de Carreira e Remuneração do Magistério: Redes Públicas das Capitais 2025, do Movimento Profissão Docente, mapeou a remuneração inicial de professores nas 26 capitais brasileiras, com e sem gratificações, para jornada de 40 horas semanais e licenciatura plena. O resultado revela que o Brasil não tem um problema único de baixo salário docente — tem um problema de desigualdade profunda entre redes.
As 7 capitais que mais pagam para professor em 2025 — e por que o critério que você usa para comparar define completamente a sua decisão de carreira
Antes de entrar nos números, é fundamental entender que o estudo do MPD apresenta dois rankings distintos: um de vencimento base (o valor fixo do cargo, que serve de base para a aposentadoria) e outro de remuneração total (incluindo gratificações universais de regência). A posição de cada capital muda consideravelmente entre os dois — e essa diferença revela muito sobre a política salarial de cada rede.
Para o professor que está decidindo onde prestar concurso, os dois números importam por razões diferentes: o vencimento base define o quanto vai para a aposentadoria; a remuneração total define o quanto vai entrar na conta corrente todos os meses. Desde a EC 103/2019 (Reforma da Previdência), gratificações de qualquer natureza não entram no cálculo previdenciário. Portanto, uma capital que paga muito via gratificação pode parecer mais atraente no curto prazo, mas ser menos vantajosa no longo prazo.
📌 Como ler este ranking
Os dois rankings abaixo usam dados do mesmo estudo, para o mesmo perfil de professor (40h, licenciatura plena, entrada na carreira). A diferença entre eles mostra quais capitais constroem o salário sobre uma base sólida (vencimento) e quais dependem de gratificações para atingir valores mais altos. Quanto maior a diferença entre os dois rankings para uma mesma capital, maior o impacto na aposentadoria.
🏆 Ranking por vencimento base — o que vai para sua aposentadoria
O vencimento base é a parcela do salário que conta para a aposentadoria e que define a base de toda a progressão na carreira. É o número mais importante para quem pensa no longo prazo.
Campo Grande — MS
Centro-Oeste · Rede Municipal
182% do Piso Nacional
Campo Grande lidera com folga o ranking de vencimento base entre todas as capitais. Com R$ 8.851 já na entrada da carreira — sem nenhuma gratificação —, a rede municipal da capital sul-mato-grossense paga quase o dobro do Piso Nacional. Isso significa que toda a remuneração vai para a aposentadoria: não há dependência de gratificações para atingir esse valor. Para o professor que pensa no longo prazo, Campo Grande é a capital com a melhor base previdenciária do país.
Cuiabá — MT
Centro-Oeste · Rede Municipal · Regime de Subsídio
164% do Piso Nacional
Cuiabá ocupa o segundo lugar no vencimento base com R$ 7.982 — e tem um diferencial único entre todas as 26 capitais: é a única que adota o regime de subsídio. Isso significa que não existem gratificações separadas: o valor total recebido pelo professor é o vencimento base. Portanto, 100% da remuneração de Cuiabá entra no cálculo da aposentadoria. Mesmo ocupando o 2º lugar no vencimento base, Cuiabá é possivelmente a melhor opção do país para o professor que pensa na aposentadoria.
João Pessoa — PB
Nordeste · Rede Municipal
158% do Piso Nacional
João Pessoa surpreende ao aparecer em 3º lugar no vencimento base — posição que a capital paraibana raramente ocupa quando se fala em desenvolvimento econômico do Nordeste. Com R$ 7.692, a rede municipal pessoense construiu uma base salarial sólida que, com a adição de gratificações de regência, leva a remuneração total a R$ 10.000 — o maior salário total entre todas as capitais. Isso coloca João Pessoa numa posição privilegiada nos dois rankings simultaneamente.
Florianópolis — SC
Sul · Rede Municipal
141% do Piso Nacional
A capital catarinense ocupa o 4º lugar no vencimento base com R$ 6.880 — resultado de uma política municipal que historicamente priorizou o vencimento fixo em detrimento de gratificações variáveis. Florianópolis é referência no Sul do país em termos de remuneração inicial, o que a coloca entre as capitais mais atraentes para o professor que presta concurso na região.
Porto Alegre — RS
Sul · Rede Municipal
132% do Piso Nacional
Porto Alegre fecha o grupo das capitais do Sul no top 5 de vencimento base, com R$ 6.427. A capital gaúcha mantém uma política salarial que coloca a remuneração base acima de 130% do Piso Nacional — destaque significativo numa região que enfrenta pressão de aposentadorias docentes elevada, o que tende a intensificar a abertura de concursos nos próximos anos.
Curitiba — PR
Sul · Rede Municipal
129% do Piso Nacional
Curitiba aparece em 6º lugar no vencimento base com R$ 6.302 — e tem o bônus de ser a capital com a maior progressão salarial ao longo da carreira entre todas as 26: o professor que chega ao topo do plano curitibano pode alcançar R$ 29.506. Para quem pensa em construir carreira de longo prazo, Curitiba combina uma entrada competitiva com a perspectiva de maior crescimento salarial do país.
Rio Branco — AC
Norte · Rede Municipal
113% do Piso Nacional
Rio Branco fecha o top 7 do vencimento base com R$ 5.525 — e é a única capital da região Norte a aparecer entre as sete melhores nesse critério. Isso contraria a percepção de que o Norte paga mal: pelo menos na capital acreana, o vencimento base está 13% acima do Piso Nacional, o que representa uma base previdenciária razoável para a região.
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💰 Ranking por remuneração total — o que entra na conta todo mês
Quando as gratificações universais de regência são somadas ao vencimento base, o ranking se reorganiza significativamente. João Pessoa assume a liderança, Belém salta do penúltimo ao terceiro lugar e o panorama revela quais redes dependem fortemente de gratificações para parecer mais atraentes.
| Pos. | Capital | Remuneração total | Vencimento base | Gratificações |
|---|---|---|---|---|
| 1º | João Pessoa (PB) | R$ 10.000 | R$ 7.692 | R$ 2.308 |
| 2º | Campo Grande (MS) | R$ 8.851 | R$ 8.851 | R$ 0 ✓ |
| 3º | Belém (PA) ⚠️ | R$ 8.769 | R$ 3.986 | R$ 4.783 |
| 4º | Cuiabá (MT) | R$ 7.982 | R$ 7.982 | R$ 0 ✓ |
| 5º | Florianópolis (SC) | R$ 7.290 | R$ 6.880 | R$ 410 |
| 6º | Porto Alegre (RS) | R$ 6.810 | R$ 6.427 | R$ 383 |
| 7º | Curitiba (PR) | R$ 6.650 | R$ 6.302 | R$ 348 |
| ✓ = sem gratificações (todo o valor é vencimento base) | ⚠️ = mais de 50% da remuneração é gratificação | Fonte: MPD, jan. 2026 | ||||
O caso Belém: 3º no total, penúltimo no vencimento base
A posição de Belém nos dois rankings conta uma história importante. No ranking por remuneração total, a capital paraense aparece em 3º lugar com R$ 8.769. No ranking por vencimento base, ela ocupa a penúltima posição, com R$ 3.986 — abaixo do Piso Nacional de R$ 4.867,77.
Isso significa que mais de 54% da remuneração de Belém vem de gratificações que não entram na aposentadoria. O professor que ingressa na rede de Belém recebe um salário que parece competitivo no contracheque mensal — mas vai se aposentar com base num vencimento que é quase a metade do que recebia na ativa. É o exemplo mais extremo da distorção que a estrutura de gratificações cria na remuneração docente brasileira.
⚠️ Belém: a armadilha do salário atraente
R$ 8.769 de remuneração total / R$ 3.986 de vencimento base = 54,5% do salário fora da aposentadoria. Professor que passa 30 anos na rede de Belém recebendo R$ 8.769 pode se aposentar com base em menos da metade desse valor. Antes de se candidatar a qualquer rede, verifique sempre a proporção entre vencimento base e remuneração total.
O destaque de Cuiabá: 100% na aposentadoria
Entre todas as capitais do top 7, Cuiabá tem o diferencial mais relevante para o planejamento de longo prazo: é a única capital brasileira que adota o regime de subsídio. Nesse modelo, não há gratificações — o professor recebe um valor único que é integralmente vencimento base. Portanto, 100% dos R$ 7.982 de Cuiabá entram no cálculo da aposentadoria.
Isso é especialmente relevante quando comparado a Campo Grande: a capital mato-grossense ocupa o 1º lugar no vencimento base com R$ 8.851 — também sem gratificações. As duas capitais do Centro-Oeste no topo do ranking são, portanto, as mais vantajosas do país do ponto de vista previdenciário, cada uma à sua forma.
“As capitais que constroem a remuneração sobre vencimento base — e não sobre gratificações — são as que realmente valorizam o professor no longo prazo. O salário mensal importa, mas a aposentadoria é onde a escolha da rede faz a maior diferença.”
— análise PEBSP com base no MPD, 2026
Maior vencimento base
R$ 8.851
Campo Grande (MS)
Maior remuneração total
R$ 10.000
João Pessoa (PB)
Única com subsídio
100%
Cuiabá — todo salário
entra na aposentadoria
Maior distorção
54,5%
Belém — do salário
fora da aposentadoria
Maior teto de carreira
R$ 29.506
Curitiba — maior
progressão do país
📌 O que você precisa saber antes de decidir onde prestar concurso
- Campo Grande (MS) lidera o vencimento base: R$ 8.851 — tudo entra na aposentadoria
- João Pessoa (PB) lidera a remuneração total: R$ 10.000 — com base sólida de R$ 7.692
- Cuiabá (MT) é a única capital com subsídio: 100% do salário vai para a aposentadoria
- Belém (PA) está no top 3 do total — mas 54,5% do salário é gratificação fora da aposentadoria
- Curitiba (PR) tem o maior teto de carreira do país: R$ 29.506 ao chegar ao nível máximo
- A diferença entre capitais no vencimento base chega a mais de R$ 6.800 — quase 3 vezes o Piso Nacional
- Antes de prestar qualquer concurso municipal: compare vencimento base e remuneração total — não apenas o salário final
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📄 Fonte deste artigo
Planos de Carreira e Remuneração do Magistério: Redes Públicas das Capitais 2025
Movimento Profissão Docente — janeiro de 2026
Metodologia: valores ajustados para jornada de 40 horas semanais (hora-relógio), primeira referência da tabela de vencimentos, licenciatura plena. Dados coletados diretamente junto às 26 secretarias municipais de educação das capitais brasileiras.



