Estudos

Estudo revela como estão os planos de carreira dos professores nas 26 capitais brasileiras

O Movimento Profissão Docente divulgou, em janeiro de 2026, o estudo “Planos de Carreira e Remuneração do Magistério – Redes Públicas das Capitais 2025”, com levantamento de legislações municipais publicadas até novembro de 2025 nas 26 capitais estaduais brasileiras. A pesquisa amplia e adapta o método usado em 2022 para as redes estaduais, incorporando novas dimensões de análise, como a organização da hora-atividade para planejamento coletivo e a implementação efetiva da avaliação de desempenho docente. Os dados foram validados diretamente com 21 das 26 secretarias municipais de educação.

Estudo do Movimento Profissão Docente analisa jornada, progressão e salários dos professores nas 26 capitais brasileiras em 2025.

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O diagnóstico expõe um cenário misto: houve avanço real na remuneração inicial dos professores em relação ao Piso Nacional do Magistério, mas persistem desigualdades estruturais entre capitais e fragilidades nos mecanismos de progressão na carreira, que ainda privilegiam critérios com baixo impacto comprovado sobre a aprendizagem dos estudantes.

Jornada de trabalho: dedicação integral avança, mas jornadas curtas resistem

Das 26 redes analisadas, 11 capitais (42%) mantêm duas jornadas de trabalho distintas em seus planos de carreira, geralmente uma menor para disciplinas com carga reduzida na matriz curricular e outra para os anos iniciais ou escolas de tempo integral. No total, 81% das capitais já oferecem jornadas de 40 horas semanais ou mais, o que facilita a dedicação integral à docência. Ainda assim, cinco redes não preveem a jornada de 40 horas em seus planos, e o Rio de Janeiro é a única capital com jornada inferior a 20 horas semanais.

Hora-atividade: quase um terço das capitais ainda descumpre a Lei do Piso

A Lei nº 11.738/2008 determina que ao menos 1/3 da jornada docente seja reservado a atividades sem interação direta com os estudantes — tempo destinado a planejamento, correção de atividades, formação continuada e troca entre pares. O estudo mostra que 73% das capitais (19 redes) cumprem esse mínimo legal, enquanto as demais sete ainda não atendem à exigência.

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Sobre o local de cumprimento, 46% das redes exigem que ao menos metade desse tempo seja feito na própria escola, o que favorece o planejamento coletivo e a formação em serviço. Apenas quatro capitais — Belo Horizonte, Manaus, Porto Velho e Vitória — exigem que 100% da hora-atividade seja cumprida dentro da unidade escolar. Já a organização desse tempo por área de conhecimento ou disciplina, que facilita a troca entre professores da mesma matéria, existe em apenas seis redes.

Progressão na carreira: titulação lidera, mas avaliação de desempenho avança

A titulação acadêmica continua sendo o critério de progressão mais utilizado, presente em 24 das 26 capitais, seguida pela avaliação de desempenho (18 redes) e pelo tempo de serviço como interstício (14 redes). O estudo pondera que pesquisas internacionais apontam impacto praticamente nulo da titulação sobre o desempenho dos estudantes, já que apenas 5% dos professores em regência de classe no Brasil têm mestrado ou doutorado.

Entre as 18 capitais que preveem avaliação de desempenho, apenas nove regulamentaram efetivamente o instrumento avaliativo, geralmente por meio de formulário padronizado aplicado pela chefia imediata ou por comissão. Oito das 21 redes que responderam ao formulário de validação admitiram que a avaliação, embora prevista em norma, não é aplicada na prática.

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Remuneração inicial: ranking das 26 capitais em 2025

Considerando a jornada ajustada para 40 horas semanais, a remuneração inicial média sem gratificações é de R$ 5.576,42, equivalente a 3,67 salários mínimos e 115% do Piso Nacional do Magistério. Com gratificações extensíveis a todos os docentes, a média sobe para R$ 6.461,94 (133% do piso). Três capitais — Aracaju, Macapá e Belém — não cumprem o valor do Piso Nacional considerando apenas o vencimento básico, sem gratificações.

Posição Capital Remuneração inicial sem gratificações (R$)
1 Campo Grande 8.851
2 Cuiabá 7.982
3 João Pessoa 7.692
4 São Luís 6.648
5 Belo Horizonte 6.356
6 Rio de Janeiro 6.335
7 Fortaleza 5.912
8 São Paulo 5.906
9 Recife 5.851
10 Rio Branco 5.525
11 Curitiba 5.474
12 Porto Alegre 5.419
13 Manaus 5.356
14 Goiânia 5.266
15 Teresina 5.252
16 Florianópolis 5.127
17 Maceió 5.006
18 Vitória 5.001
19 Boa Vista 4.934
20 Salvador 4.868
20 Natal 4.868
20 Porto Velho 4.868
20 Palmas 4.868
24 Macapá 4.442
25 Belém 3.986
26 Aracaju 3.195

Fonte: Movimento Profissão Docente, valores ajustados para jornada de 40 horas semanais (2025), sem gratificações.

Regime de remuneração e vantagens pecuniárias

Entre as 26 capitais, apenas Cuiabá adota o regime de subsídio, modelo de parcela única que, segundo o estudo, garante maior transparência e simplifica a gestão da folha de pagamento, já que veda o acúmulo de gratificações e adicionais sobre a remuneração. As demais 25 redes seguem no regime de vencimento, combinando o salário base a diversas vantagens pecuniárias — o levantamento mapeou 131 rubricas diferentes pagas pelas redes das capitais, sendo 46 delas vinculadas a funções de gestão e liderança e 27 à titulação acadêmica.

O estudo destaca que, após a Reforma da Previdência de 2019, gratificações e adicionais não podem mais ser incorporados aos proventos de aposentadoria, o que reforça a defesa do Movimento Profissão Docente pela consolidação da remuneração docente em subsídio.

Amplitude da carreira: da progressão rápida à trajetória de décadas

A amplitude temporal média das carreiras — tempo necessário para o professor alcançar a última referência salarial — é de 26 anos, variando de 11 anos em São Paulo e Maceió a 65 anos em Fortaleza. Já a amplitude remuneratória média, sem gratificações, é de 94%, fortemente influenciada por valores extremos como os de Manaus (521%) e Curitiba (439%). Uma capital, Belém, registra amplitude nula: a remuneração do professor com licenciatura plena permanece a mesma do início ao fim da carreira.

Capitais x estados: onde a comparação pesa contra os municípios

Em comparação com o estudo equivalente sobre redes estaduais, as capitais se destacam na oferta de jornadas de 40 horas (81% contra 74%), mas ficam atrás no cumprimento da hora-atividade mínima (73% contra 100% nos estados) e na implementação da avaliação de desempenho (9 contra 12 redes). A remuneração inicial média das capitais, sem gratificações, é 11,4% inferior à média estadual (R$ 5.576,42 contra R$ 6.212,36).

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