Até 2034, as redes estaduais brasileiras precisarão repor ou contratar novos professores em uma escala sem precedente nas últimas décadas. O estudo Situação Demográfica das Redes Estaduais de Ensino, do Movimento Profissão Docente, projeta que 57,5% dos professores efetivos estarão aptos a se aposentar nesse período — cerca de 185 mil docentes.,
Os 5 estados que mais vão precisar de professor até 2034
Mas a demanda não será igual em todos os estados: alguns precisarão apenas repor saídas, enquanto outros enfrentarão o desafio de repor e ainda expandir o quadro, porque a demanda escolar no seu território vai crescer. Com base nos dados de aposentadoria projetada, variação de matrículas e média de idade do quadro docente por estado, este artigo identifica os 5 estados com maior pressão de contratação até 2034
O critério: por que não basta contar aposentadorias
Identificar os estados com maior pressão de contratação exige mais do que listar aqueles com mais aposentadorias projetadas. É preciso cruzar pelo menos três variáveis: o percentual de efetivos aptos a se aposentar até 2034, a projeção de variação das matrículas no mesmo período e a média de idade do quadro docente — que indica a velocidade das saídas.
Um estado que vai perder 70% dos efetivos mas também vai perder 40% dos alunos enfrenta um problema menor do que um estado que vai perder 70% dos efetivos e ainda vai crescer em matrículas. Da mesma forma, um estado com quadro médio de 50 anos vai sentir a pressão mais cedo do que um com média de 43 anos, mesmo que o percentual final de aposentadorias seja parecido.
📐 Como os 5 estados foram selecionados
Os estados foram ranqueados combinando três fatores do estudo do MPD: (1) percentual de professores efetivos aptos à aposentadoria até 2034; (2) projeção de variação de matrículas até 2034 — positiva aumenta a pressão, negativa alivia; (3) média de idade do quadro docente — quanto mais alta, mais iminente a pressão. O resultado é uma leitura de necessidade líquida de contratação, não apenas de saída por aposentadoria.
🥇 1º — Goiás: o maior risco absoluto do país
Aptos à aposentadoria
73,2%
Variação de matrículas
Média de idade docente
~47 anos
Goiás reúne a combinação mais crítica do país: o maior percentual de professores aptos à aposentadoria (73,2%) — quase 3 em cada 4 docentes efetivos saindo até 2034 — somado a uma das poucas redes estaduais com projeção de crescimento de matrículas no período. Isso significa que o estado não vai apenas repor saídas: vai precisar contratar para atender uma demanda maior com um quadro drasticamente reduzido. A média de idade alta (~47 anos) indica que a pressão virá ainda antes de 2034 — grande parte das aposentadorias deve se concentrar entre 2026 e 2030. Sem concursos em escala, Goiás chegará à metade da próxima década com menos professores efetivos do que tem hoje e mais alunos para atender.
🥈 2º — Rio Grande do Sul: quadro envelhecido + queda controlada
Aptos à aposentadoria
~70%
Variação de matrículas
-20 a -25%
Média de idade docente
~48 anos
O Rio Grande do Sul tem o segundo quadro mais envelhecido do Sul, com média de idade próxima de 48 anos e cerca de 70% dos efetivos aptos à aposentadoria até 2034. A queda de matrículas projetada (-20 a -25%) alivia parcialmente a pressão de reposição, mas não o suficiente para compensar a escala das saídas. O estado já está abaixo da meta de 70% de efetivos do PNE e, sem intervenção, chegará a 2034 com um percentual ainda menor. A combinação de quadro mais velho do país e instabilidade fiscal recorrente torna a abertura de concursos desafiadora — mas inevitável diante da lei.
🥉 3º — Paraná: Sul do Brasil sob pressão crescente
Aptos à aposentadoria
~69%
Variação de matrículas
-22 a -28%
Média de idade docente
~47 anos
O Paraná replica o padrão do RS com leve variação: ~69% dos efetivos aptos à aposentadoria e queda de matrículas um pouco mais acentuada (-22 a -28%). O estado enfrenta um desafio específico: mesmo com queda de alunos no agregado, a distribuição territorial é desigual — regiões metropolitanas de Curitiba ainda crescem em demanda, enquanto o interior encolhe. Isso significa que o Paraná precisará de concursos com vagas geograficamente direcionadas, e não simplesmente de redução proporcional ao número de aposentadorias. A pressão imediata virá das regiões urbanas — e deve aparecer nos editais antes de 2028.
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4º — Santa Catarina: o paradoxo do estado rico com quadro precário
Aptos à aposentadoria
~62%
Variação de matrículas
-15 a -20%
% de efetivos hoje
28,8%
Santa Catarina entra no top 5 por uma razão diferente dos estados do Sul: o problema não é apenas a quantidade de aposentadorias projetadas (~62%), mas o ponto de partida dramático. Com apenas 28,8% de efetivos hoje — um dos menores do país — qualquer saída por aposentadoria aprofunda ainda mais um deficit já grave. O estado precisará de um esforço concursal muito além da simples reposição para cumprir a meta de 70% do PNE: partindo de 28,8% e perdendo 62% dos poucos efetivos que tem, sem concursos chegaria a menos de 11% de efetivos em 2034. O volume de vagas necessárias para reposição + adequação ao PNE é um dos maiores do país em termos relativos.
5º — São Paulo: o maior volume absoluto do país
Aptos à aposentadoria
~58%
Variação de matrículas
-18 a -24%
Volume estimado de saídas
30–40 mil
São Paulo entra no top 5 não pelo percentual de aposentadorias — que em 58% está abaixo da média de outros estados da lista —, mas pelo volume absoluto. Como a maior rede estadual do país, com mais de 200 mil professores efetivos, um percentual de 58% representa entre 30 e 40 mil docentes aptos à aposentadoria nos próximos dez anos. Esse é o maior número absoluto de saídas projetadas de qualquer estado. Além disso, São Paulo já demonstrou uso massivo da PND para PSS — sinal de que o estado reconhece a pressão, mas ainda resolve via temporários. A transição de temporários para efetivos em escala, exigida pelo PNE, representará um desafio orçamentário e logístico sem precedente para a rede paulista.
O que esse mapa significa para quem estuda para concurso
Para o professor que está se preparando para concursos públicos, a leitura prática desses dados é direta: os cinco estados identificados serão os maiores geradores de vagas efetivas nos próximos anos. A combinação de pressão legal (meta do PNE), pressão demográfica (aposentadorias em massa) e, no caso de Goiás, pressão de demanda (crescimento de matrículas) tornará a abertura de concursos não apenas desejável, mas obrigatória do ponto de vista regulatório.
Isso não significa que todos abrirão concursos ao mesmo tempo — questões fiscais, calendários eleitorais e capacidade administrativa influenciam o ritmo. Mas o horizonte de 2026 a 2030 deve concentrar os maiores volumes de editais para professor efetivo que o Brasil viu nas últimas décadas.
Os que ficaram fora: por que Ceará e Bahia não estão na lista
Vale explicar por que dois estados frequentemente citados em análises de educação — Ceará e Bahia — não aparecem no top 5 de maior pressão de contratação.
O Ceará tem o menor percentual de professores aptos à aposentadoria do país (32,2%) e um dos quadros docentes mais jovens. Isso significa que a pressão de saídas será diluída ao longo de muitos anos — sem concentração crítica no período 2026-2034.
A Bahia, por sua vez, já tem 94,1% de efetivos — muito acima da meta do PNE. Mesmo que perca parte do quadro para aposentadorias, partirá de um patamar tão alto que ainda permanecerá dentro ou próximo da meta. O esforço concursal da Bahia será de manutenção — não de reconstrução.
💡 Ceará e Bahia: por que ficaram de fora
Ceará: apenas 32,2% de aposentadorias projetadas — o menor do país. Quadro jovem dilui a pressão. Bahia: 94,1% de efetivos hoje. Mesmo com saídas por aposentadoria, mantém-se acima ou próximo da meta do PNE. Os dois estados são o contraponto — e mostram que planejamento sistemático de concursos ao longo das décadas cria uma margem de segurança que os estados do top 5 simplesmente não têm.
Resumo: os 5 estados em perspectiva
| Pos. | Estado | % aptos aposentadoria | Matrículas até 2034 | Fator determinante |
|---|---|---|---|---|
| 1º | Goiás | 73,2% | ↑ Crescimento | Repor + expandir: o único estado que vai ter mais alunos e menos professores |
| 2º | Rio Grande do Sul | ~70% | ↓ -20 a -25% | Quadro mais velho do Sul + pressão fiscal + déficit de efetivos atual |
| 3º | Paraná | ~69% | ↓ -22 a -28% | Demanda crescente em regiões metropolitanas mesmo com queda geral |
| 4º | Santa Catarina | ~62% | ↓ -15 a -20% | Apenas 28,8% de efetivos hoje — qualquer saída aprofunda um déficit já grave |
| 5º | São Paulo | ~58% | ↓ -18 a -24% | Maior volume absoluto do país: 30–40 mil saídas projetadas |
Maior pressão relativa
Goiás
73,2% de aposentadorias
+ matrículas crescendo
Maior volume absoluto
São Paulo
30–40 mil docentes
aptos a sair até 2034
Sul sob maior pressão
RS e PR
~69–70% de aposentadorias
nos dois estados
Pior ponto de partida
SC
28,8% de efetivos hoje
+ 62% saindo até 2034
Menor pressão
Ceará
32,2% de aposentadorias
— quadro mais jovem do país
📌 O que você precisa saber
- Goiás é o estado de maior pressão relativa: 73,2% de aposentadorias + crescimento de matrículas
- São Paulo tem o maior volume absoluto: entre 30 e 40 mil saídas projetadas até 2034
- RS e PR lideram o Sul com ~70% e ~69% de professores aptos à aposentadoria
- Santa Catarina tem o pior ponto de partida: 28,8% de efetivos hoje + 62% saindo
- A janela crítica é 2026 a 2030 — quando a maior parte das saídas deve se concentrar
- A pressão combinada do PNE + aposentadorias tornará concursos obrigatórios nesses estados
- Ceará e Bahia ficam fora do top 5 por quadro jovem e alto percentual de efetivos, respectivamente
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📄 Fonte deste artigo
Situação Demográfica das Redes Estaduais de Ensino e suas Implicações para a Força de Trabalho Docente
Movimento Profissão Docente — agosto de 2025
Pesquisadores: Bernardo Schettini, Herton Araujo, Paulo Tafner e Rogério Costanzi
Dados baseados no Censo Escolar 2023 (Inep), Projeções Populacionais 2024 (IBGE) e legislações previdenciárias estaduais.



