Antes de assinar o contrato de matrícula, vale conferir o que os números realmente mostram: a área de formação importa mais do que muitos imaginam na hora de entrar no mercado de trabalho. Um levantamento do Instituto Semesp com 5.681 egressos do ensino superior brasileiro — realizado entre agosto e setembro de 2024 e divulgado em janeiro de 2025 — revela diferenças enormes entre os cursos: enquanto Medicina emprega 92% dos formados na própria área, História registra 31,6% de desemprego entre seus diplomados.
Antes de se matricular, leia isso: os cursos com pior empregabilidade do ensino superior brasileiro
A IV Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp — realizada em parceria com a Workalove — ouviu 5.681 formados em cursos de 178 instituições, de todas as regiões do país. Quase 97% dos participantes se formaram em universidades privadas, e 68,3% tinham até 34 anos no momento da pesquisa. O indicador central é a proporção de egressos que trabalham na área em que se formaram — não apenas se têm algum emprego.
Esse recorte é essencial. Uma pessoa formada em Engenharia de Produção pode estar empregada, mas em Recursos Humanos ou em Vendas — sem usar praticamente nada do que estudou. A pesquisa separa esses casos e mostra, com mais precisão, quais cursos efetivamente abrem portas na carreira de formação.
Os 10 cursos com maior empregabilidade (na área de formação)
| Pos. | Curso | Área | Empregabilidade |
|---|---|---|---|
| 1º | Medicina | Saúde | 92% |
| 2º | Farmácia | Saúde | 80,4% |
| 3º | Odontologia | Saúde | 78,8% |
| 4º | Gestão da Tecnologia da Informação | Tecnologia | 78,4% |
| 5º | Ciência da Computação | Tecnologia | 76,7% |
| 6º | Medicina Veterinária | Saúde/Agro | 76,6% |
| 7º | Design | Criativas | 75% |
| 7º | Relações Públicas | Comunicação | 75% |
| 9º | Arquitetura e Urbanismo | Construção | 74,6% |
| 10º | Publicidade e Propaganda | Comunicação | 73,5% |
Saúde domina o topo. Três dos quatro primeiros colocados são cursos da área da saúde — Medicina, Farmácia e Odontologia —, e o perfil de empregabilidade elevada está diretamente ligado à regulamentação profissional: essas carreiras dependem de registro em conselhos federais para exercício legal, o que cria uma demanda estrutural e filtrada por mão de obra habilitada. A tecnologia aparece logo atrás, ocupando a 4ª e a 5ª posições com Gestão da TI (78,4%) e Ciência da Computação (76,7%) — setores com déficit crônico de profissionais no Brasil.
O outro lado da tabela: cursos com maior desemprego pós-formação
A pesquisa também mapeou os egressos que, após a conclusão do diploma, seguem desempregados. O destaque negativo é História, com 31,6% de desemprego — praticamente 1 em cada 3 formados sem trabalho remunerado. O dado surpreende menos quando se observa o mercado: fora do magistério público, as oportunidades para historiadores são pulverizadas e muito dependentes de concurso.
| Curso | Taxa de desemprego pós-formação |
|---|---|
| História | 31,6% |
| Relações Internacionais | 29,4% |
| Serviço Social | 28,6% |
| Radiologia | 27,8% |
| Enfermagem | 24,5% |
| Química | 22,2% |
| Nutrição | 22% |
| Logística | 18,9% |
| Agronomia | 18,2% |
| Estética e Cosmética | 17,5% |
Um caso que merece atenção especial é o de Enfermagem: aparece nos dois extremos da pesquisa. O curso registra 24,5% de desemprego pós-formação no nível superior — mas, ao mesmo tempo, o técnico em enfermagem foi o 2º emprego mais em alta no Brasil em 2026, segundo o LinkedIn. A explicação está na saturação do diploma de bacharelado em regiões metropolitanas e na demanda concentrada por profissionais de nível técnico e com menor custo de contratação para unidades básicas de saúde e clínicas.
Formados na área errada: o fenômeno da migração de carreira
Além de quem está desempregado, a pesquisa identificou um grupo relevante: profissionais que trabalham, mas fora da área em que se formaram. Liderança desse grupo pertence a Engenharia Química (55,2% atuando em outra área), seguida de Relações Internacionais (52,9%) e Radiologia (44,4%). Engenharia de Produção (42,4%), Gestão de Pessoas (40,5%) e Jornalismo (40,4%) completam os primeiros lugares.
Esse dado tem implicação prática direta: o salário médio de quem atua na própria área de formação é 27,5% maior do que o de quem migrou para outra área. A especialização, portanto, não é só questão de satisfação profissional — ela tem valor econômico mensurável.
O que esse cenário representa para professores
Para quem já atua na educação pública e pensa em uma segunda graduação ou em uma primeira formação complementar, os dados do Semesp oferecem um mapa útil. Cursos da área de saúde lideram a empregabilidade, mas exigem investimento alto e longa duração — o que pode não ser viável para quem já tem jornada dupla em sala de aula. A tecnologia aparece como alternativa acessível: cursos de Gestão da TI e Ciência da Computação oferecem boa empregabilidade com opções presenciais e a distância de custo menor.
Há também um dado específico para a carreira docente: licenciaturas em áreas com apagão de professores — Física, Química, Matemática, Letras-Inglês, Filosofia e Sociologia — representam oportunidade direta de emprego no próprio setor educacional. O Instituto Semesp projeta déficit de até 235 mil docentes na educação básica até 2040, e o Programa Mais Professores (Decreto 12.358/2025) criou bolsa de R$ 2.100 por mês para quem cursa licenciatura nessas áreas carentes.
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Limites da pesquisa: o que os dados não respondem
O próprio Instituto Semesp ressalta que o levantamento não tem pretensões acadêmicas ou científicas: a amostra de 5.681 respondentes é concentrada em egressos de instituições privadas (97%), o que pode subestimar a situação de quem se formou em universidades federais ou estaduais. Os dados capturam um momento — agosto e setembro de 2024 — e não acompanham trajetórias ao longo do tempo.
O indicador de empregabilidade também mede ocupação na área de formação, não renda, satisfação ou qualidade do emprego. Um curso com alta empregabilidade pode ter salários de entrada baixos; um com índice menor pode concentrar profissionais em posições bem remuneradas. Para decisões de matrícula, o ideal é cruzar esses dados com informações de salário médio por área (disponíveis na Pesquisa Salarial Robert Half 2026 e na PNAD Contínua do IBGE).
📋 Sobre a pesquisa
| Instituição responsável | Instituto Semesp |
| Nome do estudo | IV Pesquisa de Empregabilidade |
| Realização | Em parceria com Workalove |
| Coleta de dados | 9 de agosto a 1 de setembro de 2024 |
| Divulgação | Janeiro de 2025 |
| Amostra | 5.681 egressos de 178 instituições |
| Perfil da amostra | 97% de instituições privadas; 68,3% com até 34 anos |
| Acesso ao estudo | semesp.org.br/pesquisas |



