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Estudo Revela: Cursos de TIC crescem 10,5% e lideram expansão no ensino superior brasileiro

Os dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, publicado pelo Instituto Semesp com base nos Censos da Educação Superior do Inep, revelam uma tendência que vem se consolidando há anos e se tornou ainda mais evidente em 2024: a área de Computação e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) foi a que mais cresceu no ensino superior brasileiro, tanto no presencial quanto na EAD.

TIC lidera crescimento no ensino superior em 2024: +10,5% no total

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Enquanto o total de matrículas do país avançou apenas 2,5% entre 2023 e 2024, os cursos de TIC registraram expansão de 6,0% no presencial e de 13,6% na EAD — crescimento mais de cinco vezes superior à média geral na modalidade a distância. O contraste com áreas tradicionais como Engenharia (–5,5% no presencial) e Educação (–4,5% no presencial) aponta para uma reconfiguração profunda na distribuição da demanda pelo ensino superior no Brasil.

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Os números: TIC lidera em todas as modalidades

A área de TIC não é a maior em volume absoluto de alunos — esse posto ainda pertence a Negócios, Administração e Direito, com 2,44 milhões de matrículas, seguida por Saúde e Bem-Estar (1,76 milhão) e Educação (887 mil). Cursos como Direito (o mais procurado no presencial privado), Pedagogia (líder na EAD privada) e Administração mantêm contingentes volumosos de alunos. Mas é a área de TIC, com cerca de 800 mil matrículas, que apresenta o ritmo de crescimento mais acelerado entre todos os grupos de formação.

No total de matrículas (presencial + EAD, pública + privada), TIC avançou 10,5% entre 2023 e 2024. No recorte por modalidade, os dados do Mapa são os seguintes:

Área de formação Presencial (total) EAD (total) Variação geral
Computação e TIC +6,0% +13,6% +10,5%
Saúde e bem-estar +1,2% +9,7% +4,8%
Negócios, administração e direito –2,4% +2,6% +0,5%
Educação –4,5% +4,3% +1,4%
Engenharia, produção e construção –5,5% +9,6% –0,6%
Serviços –4,8% –8,1% –7,4%
Fonte: Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026 — Instituto Semesp / Base: INEP. Variação de matrículas entre 2023 e 2024.
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O crescimento de TIC na rede privada é ainda mais expressivo no detalhe: +9,2% no presencial privado e +12,5% na EAD privada, segundo o Mapa. A área de Ciências Sociais, Comunicação e Informação também aparece com expansão relevante (+5,8% no presencial total, +9,3% na EAD total), mas sem a consistência e o volume de TIC. No extremo oposto, a área de Serviços registrou retração em todas as modalidades, e Engenharia apresentou queda de 10,4% no presencial da rede privada — o pior desempenho entre os grandes grupos.

O que está por trás da corrida pelos cursos de tecnologia

A explicação mais direta para o crescimento dos cursos de TIC está no mercado de trabalho. O Brasil enfrenta uma escassez estrutural de profissionais de tecnologia que não se resolve no curto prazo. Dados da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) indicam que o país formou cerca de 464 mil profissionais de TIC entre 2018 e 2023, enquanto o mercado demandou mais de 665 mil no mesmo período — um descasamento de 30,2% entre oferta e procura. A estimativa da entidade é de 530 mil vagas não preenchidas acumuladas entre 2021 e 2025, resultado de o Brasil formar aproximadamente 53 mil profissionais por ano frente a uma demanda média de 159 mil.

Esse desequilíbrio tem consequência prática direta: profissionais de tecnologia são disputados por empresas brasileiras e estrangeiras, com remunerações que tendem a superar as de áreas tradicionais como Administração e Direito. A percepção de empregabilidade elevada e salários competitivos funciona como sinal para as escolhas de formação de novos estudantes — o que os dados do ensino superior confirmam com clareza.

📊 DÉFICIT ESTRUTURAL DE PROFISSIONAIS DE TIC NO BRASIL

Segundo a Brasscom, o setor de TIC pode gerar entre 30 mil e 147 mil novos empregos formais apenas em 2025, com estimativa base de 88 mil vagas — 57% diretamente ligadas à área de tecnologia. Mesmo com o crescimento nos cursos de TIC no ensino superior, a formação anual de profissionais ainda é um terço da demanda projetada do mercado, o que mantém a pressão sobre salários e a atratividade das carreiras do setor.

Cursos tradicionais: queda no presencial, sobrevivência na EAD

O crescimento de TIC coexiste com um movimento de perda de alunos em áreas que dominaram o ensino superior brasileiro por décadas. A área de Engenharia, produção e construção registrou queda de 5,5% no presencial e segue negativa no total geral (–0,6%), mesmo com crescimento de 9,6% na EAD — o que indica que parte do público migrou para a modalidade a distância, mas não compensou a retração no formato tradicional. Educação caiu 4,5% no presencial, mesmo sendo sustentada pelos cursos de licenciatura na EAD (+4,3% no total). Negócios, Administração e Direito — o grupo com mais alunos no país — recuou 2,4% no presencial da rede privada, embora o crescimento na EAD tenha mantido o saldo positivo geral.

O padrão que emerge é que a EAD funciona como amortecedor para áreas em retração no presencial: cursos como Pedagogia, Administração e Enfermagem lideram entre os mais procurados na modalidade a distância — com Pedagogia na primeira posição entre os cursos EAD privados — enquanto perdem espaço nas salas de aula físicas. Mas essa compensação não é universal: na área de Serviços, a EAD também encolheu (–8,1%), resultando na maior retração entre todos os grupos no indicador geral (–7,4%).

⚠️ CURSOS MAIS PROCURADOS NO PRESENCIAL E NA EAD (REDE PRIVADA — 2024)

Presencial: Direito · Enfermagem · Psicologia
EAD: Pedagogia · Enfermagem · Administração

Apesar do crescimento expressivo de TIC em termos percentuais, as áreas tradicionais ainda dominam em volume absoluto. O crescimento de TIC indica mudança de tendência, não ainda de liderança.

O que essa tendência revela sobre a relação entre mercado e educação superior

O crescimento dos cursos de TIC não ocorre no vazio. Ele é produto de um conjunto de pressões convergentes: a digitalização acelerada da economia, a demanda por profissionais de inteligência artificial, cibersegurança e desenvolvimento de sistemas, e a visibilidade crescente de carreiras em tecnologia como trajetórias de ascensão social e remuneração competitiva. Parte relevante desse crescimento acontece via EAD, onde cursos tecnológicos de formação mais curta — como Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS), que ocupa posição de destaque entre os mais matriculados — se tornaram porta de entrada para uma parcela da população que não conseguiria arcar com cursos presenciais.

Essa dinâmica coloca uma questão que o Mapa do Ensino Superior não responde diretamente, mas que o cenário sinaliza: em que medida o sistema de ensino superior está sendo orientado pelas pressões imediatas do mercado, e não por uma política deliberada de formação? A retração de Engenharia no presencial — área estratégica para o desenvolvimento industrial do país — ao lado do crescimento concentrado em TIC indica que as escolhas de formação respondem mais ao sinal de curto prazo das vagas e salários do que a um planejamento estruturado de longo prazo. O ensino técnico de nível médio avançou 28% nas matrículas de TIC entre 2023 e 2024 (rede pública), segundo o Censo Escolar de 2024, o que sugere que o movimento começa a se consolidar também antes do ensino superior.

Para a área de educação pública, o dado de TIC tem ainda um desdobramento específico: a demanda por professores de Computação e disciplinas correlatas nas escolas públicas ainda é sub-atendida, e o marco regulatório da EAD de 2025 — que veda as licenciaturas no formato 100% a distância — pode limitar justamente a via pela qual uma parcela dos ingressantes em TIC poderia converter sua formação em carreira docente. O cruzamento entre o déficit de professores de tecnologia na educação básica e o crescimento dos cursos de TIC no ensino superior é uma das questões que o sistema ainda não equacionou.

📋 TIC NA EDUCAÇÃO BÁSICA: O CRESCIMENTO CHEGA AO ENSINO MÉDIO

O Censo Escolar 2024 registrou avanço de 28% nas matrículas de cursos técnicos de TIC no ensino médio da rede pública entre 2023 e 2024. O crescimento da educação profissional e tecnológica foi de 17% no total. Mesmo com esses números, o ensino técnico ainda representa apenas 17,2% das matrículas do ensino médio regular — abaixo dos 37% observados como média entre os países da OCDE.

Uma tendência consolidada, não um fenômeno recente

O crescimento de TIC no ensino superior não é novidade de 2024. A área já havia registrado expansão de 15,1% no presencial entre 2022 e 2023, e de 28,1% na rede privada entre 2021 e 2022, impulsionada especialmente pela EAD. O que a 16ª edição do Mapa confirma é que a tendência se mantém mesmo com a desaceleração geral do ensino superior e a contração da EAD — o crescimento de TIC na modalidade a distância, de 13,6%, ficou muito acima dos 5,6% registrados pela EAD como um todo. Isso indica que, mesmo onde a EAD desacelera, os cursos de tecnologia seguem atraindo novos ingressantes.

A questão que o sistema de ensino superior passa a enfrentar não é mais se os cursos de TIC vão crescer, mas como garantir que esse crescimento resulte em formação de qualidade — com infraestrutura de laboratórios, professores qualificados e articulação com as demandas reais do mercado — e não apenas em volume de matrículas alimentado pela combinação de baixo custo e alta empregabilidade percebida. Com a evasão geral na EAD privada chegando a 41,9% em 2024, a capacidade de reter e formar esses estudantes é o desafio mais concreto que o crescimento de TIC impõe às instituições.

Crescimento de TIC no Ensino Superior Brasileiro — Mapa 2026 (Semesp/INEP)
Fonte Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026 — Instituto Semesp, com base no Censo da Educação Superior / INEP
Crescimento TIC no presencial (total) +6,0% entre 2023 e 2024
Crescimento TIC na EAD (total) +13,6% entre 2023 e 2024
Crescimento TIC geral (todas modalidades) +10,5% entre 2023 e 2024
Total de matrículas em TIC (2024) Cerca de 800 mil (4ª maior área em volume)
Área com maior retração no presencial Engenharia: –10,4% (rede privada); –5,5% no total
Área com maior retração geral Serviços: –7,4% no total
Déficit de profissionais de TIC (Brasscom) 530 mil vagas não preenchidas acumuladas (2021–2025)
Formação anual vs. demanda anual ~53 mil profissionais formados / demanda de ~159 mil vagas por ano
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