O 28º Encontro USP-Escola reúne, em julho de 2026, 9 cursos e minicursos gratuitos voltados à educação antirracista e à diversidade étnico-racial — o maior bloco temático da edição. São 4 cursos de 30 horas e 5 minicursos de 4 horas que cobrem letramento racial, literaturas negra e indígena, pedagogia histórico-crítica, etnomatemática e protagonismo estudantil. As inscrições ficam abertas até 21 de junho de 2026 pelo sistema Apolo da USP.
A formação antirracista é obrigatória pela Lei 10.639/2003 e pela Lei 11.645/2008 — mas muitos professores ainda não tiveram acesso a essa formação durante a graduação. O Encontro USP-Escola 2026 oferece uma oportunidade concreta e gratuita de preencher essa lacuna, diretamente dentro do campus da maior universidade do país.
Por que o Encontro USP-Escola aposta na formação antirracista
A Lei 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas do país. Cinco anos depois, a Lei 11.645/2008 estendeu essa obrigatoriedade ao conteúdo indígena. Mais de duas décadas depois, a implementação dessas leis ainda é desigual — e uma das principais razões é a falta de formação continuada acessível para os professores da rede.
O Encontro USP-Escola 2026 responde a isso com o maior volume de atividades antirracistas já oferecido em uma edição: 9 atividades no eixo de educação étnico-racial, distribuídas entre cursos aprofundados e minicursos práticos. A programação vai de letramento racial à etnomatemática, da literatura afrodiaspórica às oralidades indígenas — cobrindo diferentes disciplinas e níveis de ensino.
Cursos de 30 horas: formação completa durante a semana
Os quatro cursos de 30 horas acontecem de segunda a sexta, no Campus Butantã, e oferecem uma imersão intensa nos temas. Cada um aborda o racismo a partir de uma perspectiva disciplinar diferente — linguagens, história, legislação e prática pedagógica.
Da Favela à Sala de Aula parte da música, da literatura e das histórias de vida para construir práticas pedagógicas críticas. O curso trabalha com obras como Clara dos Anjos de Lima Barreto, Olhos d’água de Conceição Evaristo e poemas de Mel Duarte e Elisa Lucinda. A proposta é articular essas produções culturais com o cotidiano escolar e a experiência dos próprios professores cursistas, orientando a elaboração de atividades aplicáveis em sala.
Histórias, Oralidades Indígenas aborda territórios, grafismos, narrativas e línguas dos povos indígenas a partir de uma perspectiva interdisciplinar. O curso inclui uma roda de conversa com Jerá Guarani e propõe reflexões sobre como apresentar a temática indígena sem reproduzir estereótipos — um desafio concreto para professores de história, literatura e artes que precisam cumprir a Lei 11.645/2008.
Letramento racial para docentes é o curso de maior número de vagas do eixo: 100. Em cinco módulos — fundamentos legais e históricos, currículo antirracista, práticas pedagógicas, formação docente e avaliação — o curso oferece um percurso completo, do marco legal às ferramentas práticas. Articula as Leis 10.639/03 e 11.645/08 com as competências da BNCC e o Currículo Paulista.
Literatura e formação crítica amplia o repertório literário de professores com obras de autoria negra e indígena do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua portuguesa. Cada dia do curso tem um ministrante diferente e uma obra central — de Jr. Belló a Djaimilia Pereira de Almeida, passando por Edmilson de Almeida Pereira e autoras africanas como Olinda Beja e Aida Gomes.
Minicursos de 4 horas: entrada prática e focada
Os cinco minicursos de 4 horas permitem que professores com agenda mais restrita acessem conteúdos específicos em um único turno. As abordagens são variadas: história da educação negra, pedagogia histórico-crítica, etnomatemática, filosofia africana e protagonismo estudantil.
A Educação das Relações Étnico-Raciais articula os marcos legais com os princípios da pedagogia histórico-crítica, discutindo o racismo estrutural e seu impacto nos processos formativos. É ministrado por professora da USP.
A História da Educação do Negro no Brasil percorre a trajetória educacional da população negra desde o período da escravidão até o presente, destacando as formas de resistência para o acesso ao ensino ao longo dessa história.
Geometranças é um dos minicursos mais originais do Encontro. A proposta é ensinar geometria a partir das tranças afro-brasileiras — analisando padrões, simetria e formas presentes nessa prática cultural. Uma abordagem que conecta etnomatemática, identidade negra e currículo de matemática de forma concreta e aplicável.
Kemet, o Berço do Conhecimento propõe reposicionar a África na história do pensamento humano. O minicurso apresenta os primeiros pensadores documentados da humanidade — anteriores aos gregos — e mostra como as ideias dos povos do Antigo Egito fundamentaram a filosofia e a matemática europeias. Uma inversão de perspectiva com potencial direto para aulas de história e filosofia.
Rodas de Conversa Antirracistas foca na sala de aula como espaço dialógico e acolhedor. O minicurso apresenta a roda de conversa como ferramenta pedagógica para fortalecer a autoestima e a identidade de estudantes negros, estimulando a fala, a escuta e o protagonismo.
Como se inscrever
As inscrições são feitas pelo sistema Apolo da USP. O pré-requisito é ter graduação concluída. Professores da rede pública têm prioridade em caso de vagas excedentes, respeitando a ordem de inscrição. A aprovação exige 75% de presença e participação.
Atenção ao prazo duplo: a inscrição inicial pode ser feita até 21 de junho, mas a confirmação obrigatória deve ser feita entre 11 e 21 de junho. Apenas quem confirmar dentro desse período será considerado inscrito.
Inscrições abertas até 21 de junho de 2026
Acesse o sistema Apolo da USP e faça sua inscrição gratuitamente



