O governo federal deve bater o martelo ainda nesta semana sobre um novo reajuste para o piso salarial nacional dos professores da educação básica, em meio a fortes críticas ao aumento previsto de apenas 0,37% para 2026 pela regra atual. A equipe do Ministério da Educação (MEC) trabalha em uma mudança na fórmula de cálculo para garantir ganho real aos docentes e evitar que o aumento fique restrito a cerca de R$ 18 mensais sobre o piso em vigor.
Piso Salarial dos professores: veja o que falta para o governo definir o novo índice de reajuste e como isso afeta estados e municípios.
Pela legislação em vigor, que vincula o reajuste do piso ao crescimento do valor aluno-ano do Fundeb, o índice para 2026 foi calculado em apenas 0,37%. Na prática, isso elevaria o piso dos atuais R$ 4.867,77 para R$ 4.885,78, um dos menores aumentos da série recente e bem abaixo da inflação acumulada no período.
A possibilidade de um reajuste tão baixo gerou forte reação de entidades representativas do magistério, que classificaram o índice como “inadmissível” e cobraram uma solução urgente do MEC. Parlamentares também demonstraram preocupação com o impacto político e social de um aumento inferior a 1% em ano de calendário eleitoral, reacendendo o debate sobre a valorização docente no país.
MP deve mudar regra e garantir ganho real do Piso Salarial em 2026
Diante da pressão, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve editar uma Medida Provisória para alterar a regra de reajuste do piso e assegurar aumento acima da inflação. A expectativa do governo é anunciar o novo percentual ainda em janeiro, após reunião entre o presidente e a equipe econômica para fechar os cálculos finais.
A proposta em discussão busca dar maior previsibilidade a estados e municípios e, ao mesmo tempo, recompor o poder de compra dos professores, que vem sendo corroído pelo avanço dos preços. Entre as alternativas defendidas por entidades do setor está um modelo que considere a inflação do ano anterior somada a uma parcela do crescimento real das receitas do Fundeb, o que poderia levar o reajuste para patamar superior a 6% em 2026.
Impacto direto no salário e nos orçamentos locais
Qualquer mudança no percentual de reajuste terá efeito imediato sobre o valor mínimo que deve ser pago aos professores da educação básica em todo o país. Governos estaduais e prefeituras acompanham de perto as negociações, já que o aumento do piso pressiona folhas de pagamento e orçamentos locais, especialmente em redes com grande número de docentes.
Por outro lado, especialistas em financiamento da educação lembram que a política de valorização do magistério é peça central para melhorar a qualidade da educação básica. Para entidades sindicais, um reajuste robusto e uma regra mais estável para os próximos anos são vistos como passos essenciais para reduzir a evasão de profissionais da carreira e atrair novos docentes para as salas de aula.
O que professores e redes devem acompanhar nos próximos dias
Nos próximos dias, a categoria deve acompanhar três movimentos principais: a reunião de Lula com o MEC e a área econômica, a divulgação do texto da Medida Provisória e o anúncio oficial do novo índice de reajuste. Depois da publicação da MP, o tema seguirá para debate no Congresso Nacional, onde parlamentares podem propor ajustes na fórmula e nas regras de aplicação do piso.
Enquanto o novo percentual não é divulgado, sindicatos, gestores e professores seguem em estado de expectativa, calculando cenários de impacto nas remunerações e nos orçamentos das redes públicas. A definição do reajuste de 2026 tende a se tornar um marco na discussão sobre o futuro da política de valorização docente no Brasil, com reflexos que podem ir muito além deste ano letivo.



