Um professor de Química e Física da rede estadual de Pernambuco entrou para a história da educação básica brasileira. Gustavo Santos Bezerra, da Escola Técnica Estadual (ETE) Professor Paulo Freire, em Carnaíba, no Sertão do Pajeú, foi eleito Educador do Ano na 27ª edição do Prêmio Educador Nota 10, considerado o “Oscar da Educação” no Brasil.
O reconhecimento, entregue em cerimônia na Pinacoteca de São Paulo, coroou um projeto que nasceu de um problema bem concreto do Sertão: o que fazer com os resíduos tóxicos das casas de farinha, como a manipueira e as cascas de mandioca, que poluem o solo e os rios da região.
🏆 O prêmio em números
Mais de 4 mil projetos inscritos em 2025 — um crescimento de 45% em relação a 2024. Gustavo venceu entre nove finalistas e também levou o 1º lugar no eixo Sustentabilidade.
Da sala de aula ao Quilombo do Caroá
O projeto premiado, batizado de “Dos resíduos aos recursos: proposta de reutilização dos subprodutos das casas de farinha do Quilombo do Caroá”, nasceu na disciplina eletiva “Construções e Invenções Sustentáveis”, do Novo Ensino Médio, com abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).
Diferente da maioria dos projetos de pesquisa, que envolvem no máximo quatro alunos, Gustavo levou toda a turma para o desafio: 32 estudantes, organizados em seis frentes de trabalho, todas voltadas a transformar os subprodutos da mandioca em materiais úteis — blocos de construção, vinagre, biodigestores, madeira ecológica, plástico biodegradável e filtros.
🧪 O que os alunos criaram a partir da mandioca
- Blocos de construção
- Vinagre
- Biodigestores
- Madeira ecológica
- Plástico biodegradável
- Filtros sustentáveis — origem do Flitropinha
O Flitropinha, estrela do projeto
Uma das seis iniciativas se destacou: o Flitropinha, um filtro absorvente feito de casca de pinha, capaz de reduzir a carga poluente da manipueira antes que ela seja descartada no ambiente. A criação já tinha conquistado a 11ª edição do prêmio Solve for Tomorrow Brasil 2024, disputada entre 2,8 mil trabalhos.
Para Gustavo, professor de Química e Física na rede estadual desde 2017, o mais especial no projeto foi ver os próprios estudantes se tornarem protagonistas da solução de um problema que afeta a comunidade onde vivem — o Quilombo do Caroá, na zona rural de Carnaíba.
“Esse projeto foi muito especial, porque foi desenvolvido para todos os alunos da sala. Geralmente fazemos um projeto de pesquisa com, no máximo, quatro alunos. Nesse, trabalhamos com 32.”
— Gustavo Santos Bezerra, professor da ETE Paulo Freire
Uma trajetória que começa na própria escola
Gustavo é ex-aluno da primeira escola de tempo integral do Sertão pernambucano e conta que, na infância, sonhava em participar de feiras de ciências, mas nunca teve a oportunidade. Ao se tornar professor, decidiu oferecer aos próprios alunos o que não pôde viver. A paixão pela docência também tem raiz familiar: sua mãe é professora dos anos iniciais.
Além do título de Educador do Ano, o prêmio garantiu a Gustavo bolsa integral de pós-graduação, acesso a plataformas de formação continuada e uma doação de R$ 25 mil para a escola onde o projeto foi desenvolvido.



