Professor que chega cedo, corrige prova de madrugada, improvisa com recursos que faltam e ainda sorri na segunda-feira. Isso não é ficção — mas virou série. Estas três produções mostram o cotidiano docente com um grau raro de honestidade: sem romantizar demais, sem vilificar o sistema só por vilificar. Com humor, empatia e personagens que qualquer professor já conheceu na sala dos professores.
1. Abbott Elementary (2021–presente)
Se existe uma série que captura o que é ser professor numa escola pública com falta de recurso — e ainda assim mostrar para o trabalho toda segunda-feira — é Abbott Elementary. Criada e protagonizada por Quinta Brunson, a série segue um grupo de docentes numa escola de ensino fundamental da Filadélfia filmada no estilo mockumentary (como The Office), com câmera na mão e entrevistas direto para a tela.
O que a diferencia de comédias escolares genéricas é a precisão com que retrata o cotidiano: a diretora que não dirige nada direito, o professor novato cheio de boas intenções, a veterana que já viu tudo e não se surpreende com mais nada. É engraçada, mas não é leviana — por baixo dos gags existe um argumento real sobre o que acontece quando o sistema falha e os professores precisam inventar.
Indicada a mais de 30 Emmys do Primetime, venceu quatro: Quinta Brunson levou Melhor Atriz de Comédia em 2024 e Melhor Roteiro em 2022; Sheryl Lee Ralph venceu Atriz Coadjuvante em 2022. Três Globos de Ouro. 99% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Disponível no Disney+.
2. Rita (2012–2020)
Antes de Abbott Elementary, havia Rita. A professora Rita Madsen é dinamarquesa, divorciada, fumante, francamente inconveniente — e extraordinariamente boa no que faz. Enquanto sua vida pessoal desmorona em câmera lenta com graça e caos, sua sala de aula é o único lugar onde as coisas, de alguma forma, fazem sentido.
A série criada por Christian Torpe para a TV 2 da Dinamarca conquistou audiência global ao subverter o estereótipo da professora dedicada e paciente. Rita não é assim. Ela diz o que pensa, mete o pé na jaca, desafia a direção e ainda assim os alunos mais difíceis são os que mais confiam nela. Cinco temporadas, 40 episódios e uma das protagonistas mais originais do gênero.
Disponível integralmente na Netflix.
3. Merlí (2015–2018) e Merlí: Sapere Aude (2019–2021)
Merlí Bergeron é professor de filosofia num instituto de Barcelona — e usa Nietzsche, Platão e Aristóteles para falar sobre a vida real dos seus alunos adolescentes. Não como exibição intelectual, mas como ferramenta. A cada episódio, um filósofo diferente embasa situações que os próprios alunos estão vivendo: primeiro amor, identidade, família, morte.
A série catalã virou fenômeno na Espanha e depois no mundo. Gerou uma sequência focada no aluno favorito de Merlí, Merlí: Sapere Aude, já disponível na Netflix. A série original pode ter disponibilidade variável no Brasil — vale verificar a plataforma antes.
Aviso importante: a série original trata de sexualidade, relações entre adultos e situações adultas com franqueza. Indicada para maiores de 16 anos.
ℹ️ Classificação indicativa
- Abbott Elementary — 12 anos
- Rita — 16 anos (linguagem direta e situações adultas)
- Merlí / Merlí: Sapere Aude — 16 anos



