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Estudo revela Ranking de Salários de Professores nas 26 Capitais do Brasil

Os professores das redes municipais das 26 capitais brasileiras recebem, em 2025, remunerações iniciais que variam de R$ 3.195,00 a R$ 10.000,00 — uma diferença de mais de três vezes entre o menor e o maior valor. O levantamento é do Movimento Profissão Docente, com dados validados pelas próprias secretarias municipais de educação.

Remuneração inicial de professores nas capitais vai de R$ 3.195 a R$ 10.000, mostra pesquisa

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O estudo considerou o salário de ingresso de um professor com licenciatura plena em jornada de 40 horas semanais — padrão adotado para permitir a comparação entre todas as redes. Os valores foram analisados em dois cenários: sem gratificações (apenas o vencimento base) e com gratificações extensíveis a todos os professores em regência de classe.

A diferença entre os dois cenários revela uma característica estrutural do magistério público brasileiro: boa parte da remuneração real dos professores está fora do vencimento base — e, por isso, não entra na aposentadoria após a Reforma da Previdência de 2019.

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O que o estudo analisou

O relatório Planos de Carreira e Remuneração do Magistério — Redes Públicas das Capitais 2025, publicado em janeiro de 2026 pelo Movimento Profissão Docente, mapeou a estrutura remuneratória das redes municipais de todas as 26 capitais estaduais. Os dados foram coletados por pesquisa legislativa e validados com 21 das 26 secretarias municipais de educação.

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Para fins de comparação, todos os valores foram ajustados para a jornada de 40 horas semanais em hora-relógio. O valor de referência é o da primeira posição da tabela de vencimentos — ou seja, o salário de quem acabou de ingressar na rede com licenciatura plena, sem contar anuênios, triênios ou adicionais individuais.

Em 2025, o Piso Nacional do Magistério está fixado em R$ 4.867,77 para 40 horas semanais. Três capitais não atingem esse valor apenas com o vencimento base: Aracaju (R$ 3.195), Macapá (R$ 4.442) e Belém (R$ 3.986).

Maior salário inicial (sem gratif.)

R$ 8.851

Campo Grande (MS)

Menor salário inicial (sem gratif.)

R$ 3.195

Aracaju (SE)

Média nacional (sem gratif.)

R$ 5.576

115% do Piso Nacional

Ranking completo — remuneração inicial sem gratificações (2025)

A tabela abaixo apresenta os valores do vencimento base de ingresso nas 26 capitais, ajustados para 40 horas semanais, organizados por região e em ordem decrescente dentro de cada uma.

Centro-Oeste

Capital Vencimento inicial (sem gratif.) Em relação ao Piso Nacional
Campo Grande (MS) R$ 8.851 182%
Cuiabá (MT) R$ 7.982 164%
Goiânia (GO) R$ 5.266 108%

Nordeste

Capital Vencimento inicial (sem gratif.) Em relação ao Piso Nacional
João Pessoa (PB) R$ 7.692 158%
São Luís (MA) R$ 6.648 137%
Fortaleza (CE) R$ 5.912 121%
Recife (PE) R$ 5.851 120%
Teresina (PI) R$ 5.252 108%
Maceió (AL) R$ 5.006 103%
Salvador (BA) R$ 4.868 100%
Natal (RN) R$ 4.868 100%
Aracaju (SE) R$ 3.195 66% ⚠

Norte

Capital Vencimento inicial (sem gratif.) Em relação ao Piso Nacional
Rio Branco (AC) R$ 5.525 113%
Manaus (AM) R$ 5.356 110%
Boa Vista (RR) R$ 4.934 101%
Porto Velho (RO) R$ 4.868 100%
Palmas (TO) R$ 4.868 100%
Macapá (AP) R$ 4.442 91% ⚠
Belém (PA) R$ 3.986 82% ⚠

Sudeste

Capital Vencimento inicial (sem gratif.) Em relação ao Piso Nacional
Belo Horizonte (MG) R$ 6.356 131%
Rio de Janeiro (RJ) R$ 6.335 130%
São Paulo (SP) R$ 5.906 121%
Vitória (ES) R$ 5.001 103%

Sul

Capital Vencimento inicial (sem gratif.) Em relação ao Piso Nacional
Curitiba (PR) R$ 5.474 112%
Porto Alegre (RS) R$ 5.419 111%
Florianópolis (SC) R$ 5.127 105%

⚠ Capitais abaixo do Piso Nacional do Magistério (R$ 4.867,77 em 2025), considerando apenas o vencimento base. Fonte: Movimento Profissão Docente, jan./2026.

O que muda quando entram as gratificações

O cenário se transforma quando são incluídas as gratificações extensíveis a todos os professores em regência de classe — como Gratificação de Incentivo à Docência, Gratificação de Regência de Classe e similares. A remuneração inicial média nacional sobe de R$ 5.576 para R$ 6.461, uma diferença de quase R$ 900.

Com gratificações, João Pessoa assume a liderança absoluta com R$ 10.000 — valor que inclui uma gratificação de incentivo expressiva. Já Belém aparece com R$ 8.769, saltando de penúltimo para terceiro lugar, o que revela uma dependência muito alta de rubricas extras para compor a remuneração dos professores na capital paraense.

1º lugar com gratificações

R$ 10.000

João Pessoa (PB)

Último lugar com gratificações

R$ 4.868

Natal (RN) e Porto Velho (RO)

Média nacional (com gratif.)

R$ 6.461

133% do Piso Nacional

O problema por trás dos números: gratificações não entram na aposentadoria

Há uma armadilha silenciosa nessa estrutura. Desde a Reforma da Previdência de 2019, as gratificações e adicionais não podem mais ser incorporados à remuneração para fins previdenciários. Na prática, isso significa que o professor que recebe R$ 8.769 de Belém — sendo a maior parte composta por gratificações — vai se aposentar com um valor muito inferior ao que recebia na ativa.

O estudo mapeou 131 tipos diferentes de vantagens pecuniárias pagas pelas 26 capitais. Em 54% das redes, há cinco ou mais dessas rubricas. A profusão de parcelas extras torna os contracheques opacos e, do ponto de vista previdenciário, prejudica diretamente o professor.

A exceção fica com Cuiabá, única capital que adota o regime de subsídio — modelo em que a remuneração é paga em parcela única, sem gratificações acrescidas, e pode ser integralmente levada à aposentadoria. Para o professor, é o formato mais vantajoso no longo prazo.

O que explica a diferença entre as capitais

A variação salarial entre capitais não segue uma lógica regional simples. Campo Grande lidera o ranking de vencimento base — acima de São Paulo, Rio de Janeiro e das capitais do Norte — por conta de uma política municipal que priorizou o salário-base em detrimento de gratificações. João Pessoa, por sua vez, ocupa o topo quando as gratificações entram, mas parte de um vencimento base de R$ 7.692 — já elevado por si só.

No extremo oposto, Aracaju registra o menor vencimento base do país entre as capitais: R$ 3.195, valor que corresponde a apenas 66% do Piso Nacional para jornada de 40 horas. A capital sergipana precisa, portanto, de gratificações para sequer alcançar o piso legal — situação que fragiliza a transparência e a segurança remuneratória dos professores da rede.

A média nacional de R$ 5.576 sem gratificações equivale a 3,67 salários mínimos — um avanço real em relação a 2009, quando o Piso Nacional correspondia a pouco mais de dois salários mínimos. Mas o crescimento foi desigual, e os professores de capitais do Norte e Nordeste seguem recebendo, em sua maioria, próximo ao piso mínimo legal, sem folga real de negociação.

📋 Sobre os dados

Fonte: Movimento Profissão DocentePlanos de Carreira e Remuneração do Magistério: Redes Públicas das Capitais 2025, publicado em janeiro de 2026.

Metodologia: valores ajustados para jornada de 40 horas semanais (hora-relógio), com base na primeira referência da tabela de vencimentos para professores com licenciatura plena. Dados validados com 21 das 26 secretarias municipais de educação.

⚠ Os valores com gratificações não são incorporados à aposentadoria após a Reforma da Previdência de 2019 (art. 39, § 9º, CF).

O ranking revela avanços reais na remuneração inicial dos professores das capitais brasileiras — a média nacional supera o Piso Nacional em 15% mesmo sem gratificações. Mas os números também expõem desigualdades que o valor médio esconde: três capitais ainda não cumprem o mínimo legal, e a estrutura de gratificações que infla os salários em várias cidades cobra seu preço na aposentadoria.

Para o professor que está avaliando uma rede municipal para prestar concurso, os dois números importam — o vencimento base e o total com gratificações — mas é o primeiro que vai definir o provento de aposentadoria no futuro.

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