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Coletânea com 25 contos de Machado de Assis está de graça no MEC Livros e pode ser lida hoje mesmo

Publicados a partir de 1870 em jornais cariocas como a Gazeta de Notícias, os contos de Machado de Assis (1839–1908) descrevem a cidade e os habitantes do Rio de Janeiro do século XIX — mas os comportamentos que retratam continuam reconhecíveis. Hipocrisia, corrupção, desigualdade social, relações de poder, escravismo e os mecanismos que as pessoas usam para se enganar e enganar os outros.

A coletânea 25 Contos reúne os textos mais conhecidos e menos lidos de Machado de Assis. Está de graça no MEC Livros — veja como acessar hoje mesmo.

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A coletânea 25 Contos, com seleção e organização da professora Nádia Battella Gotlib, está disponível gratuitamente no MEC Livros — a biblioteca digital do Ministério da Educação — e pode ser acessada por qualquer pessoa com conta Gov.br.

📚 Obra disponível no MEC Livros:

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25 Contos — Machado de Assis | 256 páginas | A partir de 14 anos

Acesse em meclivros.mec.gov.br ou pelo app “MEC Livros” com sua conta Gov.br.

Uma coletânea de 25 contos, 256 páginas e mais de 150 anos de distância — que não importam muito

A seleção organizada pela professora Nádia Battella Gotlib — especialista na obra de Machado de Assis e professora da USP — reúne 25 contos extraídos de diferentes coletâneas do autor, numa edição íntegra, sem adaptação. Estão presentes tanto os contos mais conhecidos do autor quanto textos menos circulados, o que torna o livro útil tanto para quem está chegando a Machado pela primeira vez quanto para quem já o conhece e quer aprofundar a leitura.

Os temas que atravessam os contos — patriarcado, machismo, escravismo disfarçado, desigualdade entre gêneros, egoísmo e hipocrisia social — são apresentados sem discurso moralizante. Machado não condena explicitamente nenhum personagem. Ele descreve, com precisão e ironia, e deixa o leitor tirar suas próprias conclusões. É justamente essa característica que faz com que os contos funcionem tão bem como espelhos do presente.

4 contos para conhecer antes de abrir o livro

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A descrição da obra no MEC Livros destaca quatro contos como ponto de partida. Veja o que cada um trata:

A Igreja do Diabo (1884)

O Diabo, cansado de agir de forma desorganizada e avulsa, decide fundar sua própria igreja — com doutrina, ritos e fiéis. Vai até Deus comunicar a decisão, desce à Terra e começa a pregar sua religião, cujo princípio central é: transgredir todas as leis divinas. O plano tem sucesso inicial. Mas o Diabo logo percebe que seus convertidos, nas ruas escuras e longe dos olhos alheios, continuam praticando boas ações às escondidas. Volta a Deus para reclamar. A resposta de Deus encerra o conto.

É um dos contos mais citados de Machado e um dos mais divertidos. A estrutura de fábula, o diálogo entre Deus e o Diabo e a conclusão sobre a natureza humana — incapaz de ser completamente boa ou completamente má — fazem deste texto uma leitura de 15 minutos que fica na cabeça por muito tempo.

A Cartomante (1884)

Camilo e Rita têm um caso. Ela é casada com Vilela, melhor amigo de Camilo. Rita começa a consultar uma cartomante; Camilo, homem ilustrado e racional, acha a prática uma bobagem. Quando recebe um bilhete anônimo que pode significar que o caso foi descoberto, Camilo também vai até a cartomante — e sai aliviado com a resposta que recebe. O conto termina de uma forma que o leitor não consegue esquecer.

A epígrafe do conto é uma frase de Hamlet: “Há mais coisas no céu e na terra do que sonha nossa filosofia.” Machado usa isso para montar uma armadilha precisa para o leitor. A Cartomante é frequentemente citada como um dos melhores contos da literatura brasileira.

Missa do Galo (1893)

Nogueira, adulto, relembra uma noite da sua adolescência. Estava hospedado na casa de Meneses — amigo da família e marido de Conceição — esperando a missa da meia-noite de Natal. O marido havia saído. Conceição aparece na sala e os dois passam horas conversando. O vizinho bate na janela para chamar Nogueira para a missa. No dia seguinte, Conceição age como se nada tivesse acontecido.

Nada aconteceu, de fato — no sentido mais literal. Mas o conto é uma construção minuciosa de tensão, desejo implícito e ambiguidade narrativa. O que Conceição queria? O que Nogueira entendeu? O que o leitor entende? Machado deixa deliberadamente em aberto. A narrativa inteira é feita de subentendidos, e é exatamente isso que a torna inesquecível.

Confissões de Uma Viúva Moça (1865)

Um dos contos mais antigos da coletânea, publicado quando Machado tinha 26 anos. Uma viúva jovem escreve cartas a uma amiga sobre sua vida após a morte do marido — os avanços que recebe, as expectativas sociais que pesam sobre ela, a pressão para que o luto seja cumprido dentro das formas prescritas. O conto é mais direto do que os textos da maturidade de Machado, mas já revela o interesse do autor pelos mecanismos sociais que constrangem as mulheres e pela distância entre o que as pessoas sentem e o que demonstram.

📖 Os 4 contos em destaque

Conto Ano Tema central
A Igreja do Diabo 1884 Contradição humana, religião, ironia
A Cartomante 1884 Adultério, fé, destino, racionalidade
Missa do Galo 1893 Desejo implícito, ambiguidade, memória
Confissões de Uma Viúva Moça 1865 Condição feminina, luto, pressão social

Por que ler contos — e não só os romances

Machado de Assis é mais conhecido pelos romances — Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba. Mas boa parte da crítica literária considera que seu talento se manifesta de forma mais concentrada nos contos. Sem espaço para digressões, cada frase carrega peso. A ironia funciona de forma mais cirúrgica. E o efeito final — aquela sensação de que o conto diz muito mais do que explica — é mais fácil de alcançar numa leitura curta do que numa narrativa longa.

Para quem nunca leu Machado, os contos são a porta de entrada mais eficiente. Para quem já leu os romances, são o complemento que revela outros ângulos do mesmo autor.

Sobre a organização da coletânea

A seleção é de Nádia Battella Gotlib, professora de literatura brasileira da Universidade de São Paulo e autora de estudos sobre Machado de Assis e Clarice Lispector. A presença de uma especialista na organização do volume garante que os 25 contos escolhidos cobrem diferentes fases da obra machadiana — dos textos mais jovens e diretos aos contos da maturidade, onde a ironia e a ambiguidade atingem o nível mais elaborado.

📱 Como acessar o livro no MEC Livros

  1. Acesse meclivros.mec.gov.br ou baixe o app “MEC Livros” na loja de aplicativos
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  5. O empréstimo dura 14 dias, com possibilidade de devolução antecipada após leitura de 10% do livro
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Informações sobre a obra

Título 25 Contos — Versão integral sem adaptação
Autor Machado de Assis
Organização Nádia Battella Gotlib (USP)
Páginas 256
Faixa etária A partir de 14 anos
Temas Condição humana, poder, escravagismo, hipocrisia, desigualdade, religião, morte
Plataforma MEC Livros — acesso gratuito com conta Gov.br
Link direto meclivros.mec.gov.br
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